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domingo, 6 de janeiro de 2008

A corrida

Thiago Floriano
06 de janeiro de 2008

Em um belo e ensolarado dia de verão, a lebre e a tartaruga resolveram disputar uma corrida. Todos os animais prepararam suas torcidas e a festa já estava pronta para esperar o vencedor. A lebre, com toda sua agilidade e velocidade, disparou na frente, enquanto a tartaruga movia-se vagarosamente em direção à linha de chegada. Um galho de árvore surpreendeu a lebre, que caiu e fraturou a asa. A tartaruga, que estava muito pra trás, esforçou-se de tal forma que distendeu os músculos da coxa. Os dois foram levados às pressas a um hospital, na direção oposta da linha de chegada e não completaram a corrida.

Moral da história: aprenda com Homer Simpson, se algo é muito difícil de fazer, então não vale a pena!

PS: A “asa” da lebre era pegadinha mesmo...

Sonho de menina

Marina Melz
06/01/2008

Sei que sonho. Vejo ao meu lado os olhos brilhantes do príncipe da Rapunzel, que com sua bravura encarou todos os monstros e males para estar com ela. Como não tenho um cabelo lá tão comprido e muito menos tão forte quanto o dela, podia ser um pano mesmo, uma corda de camping, até mesmo uma escadinha. Nem me importaria. Ele tem, também, os cabelos loiros da cor do ouro, que, suavemente, balançam a cada passo. Ah, os passos. Cada passo dele parece ter uma incrível capacidade de ser lento e suave, como aquele da história da Branca de Neve. A postura exaltada lembra aquele que dançou com a Cinderela. As roupas, ah, não são lá aquelas coisas. Pensando bem, sem mixaria. Um terno risca de giz, uma camisa salmão e uma gravata preta, talvez com detalhes na cor da camisa. Suspiro fundo, estico os braços. Ele vem vindo. Abro os olhos. Tenho certeza que sonhava.

A Pequena Flor

Fábio Ricardo
06/01/08

Era uma vez uma bela flor, que vivia em um jardim imenso, muito bonito e florido. Todos os dias, quando o sol nascia, ela era a primeira a se levantar, espreguiçar-se e mostrar suas lindas pétalas. Todas as flores do jardim se esticavam, balançavam suas pétalas ao vento, mas aquela era a flor mais bonita do jardim. Dia após dia, o sol nascia e sorria para ela.

Uma pequena flor assistia tudo a certa distância. Ela também fazia parte daquele lindo jardim, mas era tão pequenina, mirrada e magrinha que não conseguia ver o sol. Ela vivia entre os caules das outras flores, e não era tão bonita quanto o restante. Ela era apenas um botão. Um pequeno botão que nunca recebia os raios de sol, isolada entre caules, vendo as pétalas apenas de baixo para cima, no escuro criado pela barreira de flores.

Ela fazia força para crescer e ultrapassar a barreira de pétalas, sonhando em ver o sol e se tornar bela como as outras flores. Se esticava ao máximo, mas não conseguia chegar à altura do restante das flores. As outras flores riam das tentativas do pequeno e magro botão de flor.

Um dia, o inverno chegou. Chegou de repente, sem avisar. O frio atingiu as pétalas das flores, que queimavam aos poucos enquanto seu corpo secava a casa dia que se passava. A pequenina flor não entendia o que estava acontecendo. Estava lá, sozinha no escuro, em silêncio, sem ninguém lhe dizer o que fazer. Ela sentia frio, mas não tinha noção do que se passava. Isolada embaixo de todas as outras flores, que recebiam os primeiros flocos de neve, a pequena flor sentia apenas as gotas geladas da neve derretida, pingando sobre seu corpo frágil.

As semanas se passaram e a pequena flor adormeceu no frio inverno. Quando acordou, notou que mais nenhuma flor se movia. O chão estava úmido da neve que havia derretido e todas as flores ao seu redor mostravam seus caules secos, mortos. A pequena flor se sentiu sozinha, abandonada. Aonde todas as outras flores haviam ido, por que não a chamaram?

A pequena flor, solitária, esforçou-se ao máximo para conseguir enxergar por cima das pétalas das outras flores. Não era possível, elas estavam muito altas, ela não conseguia chegar até as outras. Esticou-se, forçou o próprio corpo em direção ao céu, e nada.

Todos os dias, lutava contra a escuridão na companhia dos caules secos, esforçando-se ao máximo para absorver toda aquela água gelada que molhava a terra, para se impulsionar ao topo. Forçava até ficar toda dolorida, sentindo o corpo se esticando cada vez mais. Ela continuava sua luta, triste por ter sido esquecida por todas.

Pensava que havia sido deixada para trás por ser muito feia, pequena e sem graça. Tantas flores lindas! E ela lá, encolhida entre seus caules. Este pensamento esteve em sua mente todos os dias, dando força para que lutasse para crescer.

Um dia, depois de muito esforço, sentiu que ultrapassara a barreira de pétalas formadas pelas outras flores, que já estavam secas e sem vida. Com muito custo, fez força e abriu-se, transformando-se de um botão em uma bela flor, com pétalas brilhantes e coloridas, sob o sol quente daquela manhã que se iniciava.

A flor, já não mais aquele pequenino e magro botão, espreguiçou-se e sorriu ao ver as belas pétalas. Olhou para os lados e viu que o inverno tinha acabado. Ao seu redor, centenas de outras belas flores, sorriam umas para as outras. Animada, a nova flor olhou para cima e alegrou-se: o sol estava lá, sorrindo diretamente para ela. Ela então percebeu: era a flor mais bonita do jardim.

Conto de Fadas. Sem Fadas.

Félix B. Rosumek

06/01/08


Era uma vez, o Lobo, Senhor da Floresta, Flagelo dos Homens. Perverso e inteligente, esperava na trilha pela próxima vítima. Logo ela apareceu, cantarolante, mechas loiras escapando pelo capuz vermelho. O Lobo esperou ela chegar perto e postou-se, imponente e assustador, diante da pequena. Começou a falar "Olá, menininha... Para onde v..." "TARADO!!!". No próximo momento estava no chão se contorcendo, com a pimenta ardendo nos olhos. A menina sumiu de vista.

Puto da vida, correu por atalhos que só ele conhecia até chegar no chalé. Entrou furtivamente e logo encontrou a doce velhinha fazendo crochê. Atacou-a com selvageria, mas a velhinha revidou. Gemendo de prazer, berrou que há muito esperava por aquilo. Arrancou o vestido, revelando uma lingerie preta caindo aos pedaços cobrindo o corpo octogenário. O Lobo arregalou os olhos e tentou fugir, mas a velha o agarrou com força renovada. Desesperado, o Lobo catou um vaso e estilhaçou na cabeça da velha. Tinha planejado um petisco antes do prato principal, mas só a visão da calcinha preta enterrada entre as nádegas da Vovó já lhe dava náuseas. Colocou o corpo desmaiado no armário, disfarçou-se e esperou pela jovem na cama. Quando ela chegou, mal ele teve tempo de dizer "Olá, minha netin..." para ouvir "TARADO!!! LADRÃO!!!" e estar tendo convulsões no chão, após a descarga do aparelho de choque. Chapeuzinho chutava o Lobo no chão, e a Vovó saiu do armário implorando para a netinha deixar o Lobo para ela. Foi salvo pela chegada do Guarda Florestal, indignado com o que estava acontecendo. Falou que aquele era um Canis lupus¸espécie protegida por lei na floresta, e que elas deveriam responder pelos seus atos na justiça. No berreiro que se seguiu, o Lobo se arrastou para longe da confusão.

Com olhos ardendo, corpo tremendo, coberto de contusões e ainda com fome, percebeu que estava perto das terras dos trigêmeos. Lambendo as feridas, chegou na primeira casa, de palha. Recuperou a pose e falou que se o dono não saísse, ele iria arrebentar tudo com as próprias mãos. Para sua surpresa, a porta se abriu. O Lobo imediatamente perdeu a fome diante da visão daquele porco decrépito. Este informou que sofria de Chagas, já que as paredes do casebre estavam cheias de barbeiros. Ofereceu-se para o Lobo, falando que ele até faria um favor o comendo, pois ele já não agüentava mais conviver com seu fecaloma. O Lobo correu para longe, estômago embrulhado.

Esperou passar as náuseas e foi para a outra casa, de madeira. Foi atendido por uma porca com sete porquinhos magricelas e com barrigas salientes. Ela informou que seu marido morrera de cólera há um ano, e que seria ótimo o Lobo levar alguns de seus filhotes por um preço módico, tendo assim menos bocas para alimentar. O Lobo recusou veementemente e rumou para a outra casa.

Logo deparou-se com uma mansão no topo da colina, cercada de altos muros e com um guarda na porta. Se aproximou do guarda que, Uzi na mão, cumprimentou o Sr. Lobo com um sorriso. O Lobo perguntou o que era tudo aquilo, e o guarda respondeu que o Sr. Prático havia ganhado muito dinheiro com uma nova invenção bélica e construíra aquela mansão. Ou melhor, tomara caipirinha na piscina enquanto os pedreiros construíam. Qual a invenção, o Lobo perguntou, curioso. Algo como um novo sistema de lançamento de mísseis, respondeu o guarda. Fora usado por João para devastar o castelo do Gigante. Sem esperanças de conseguir nada ali, o Lobo foi embora.

Frustrado e morto de fome, caminhou pelas Terras Encantadas, até um tiro estourar sua cabeça. O Lobo morreu na hora, e Pedro vangloriou-se pela sua caça. Quando ia pegar seu prêmio, o Guarda Florestal pegou-o em flagrante e deu a ordem de prisão. Sem se abalar, Pedro deu uma "cervejinha" para o Guarda e tudo ficou resolvido. Hoje o Lobo decora o chão da sala do velho Pedro, onde ele conta para os netos histórias dos tempos em que as lendárias florestas e lobos ainda existiam. Ou melhor, conta para o neto mais novo, pois o mais velho prefere jogar Need For Speed e Guitar Player no Playstation. E todos viveram felizes para sempre. Menos o Lobo, que morreu. E triste. Fim.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Era uma vez.

A torre está vazia. Não há mais princesa, o espelho não é mágico, não há fada madrinha. Sem princesa não há dragão, sem dragão sem ilusão, nem príncipe varão, nem corcel ou alazão. A torre está vazia.

Mas no Shabbath as bruxas dançam. O guerreiro se faz garboso, uma luz na torre acende, ascende o dragão. O menino acorda e o príncipe levanta. Monta o corcel e desafia a imensidão. Cruza terra e cruza o mar. Cascos fazendo onda, espada cortando vagas, cauda de espuma branca riscando o teto de Poseidon. Menino aspira o ar salgado, o príncipe de elmo emplumado, Quixote,Valente, sonhador. Cascos atravessam mares, à planície d’outro lado, e, sobre montanhas, lançam-se nos ares. O cavaleiro com um sopro apaga os vulcões, com um golpe derruba tufões, o trotar deita distâncias ao chão. No horizonte uma montanha, na montanha um castelo, no castelo o dragão. O príncipe apeia, escala a montanha, lá no alto a torre em luz. A capa ao vento rubra, em mais um movimento, a montanha já derruba, é chegado o momento. À frente a besta-fera, vomitando brasa e chama, escorrendo lume e escuridão. O bravo de escudo, com o punho já desnudo, arrebata o dragão. Mas a muralha intransponível não permite intromissão, na torre iluminada onde aguarda um coração. O menino assobia, da infância uma canção, e circundam o jovem príncipe, aves em profusão. Ao cantar do rouxinol, o pintassilgo se achegou. O voar da andorinha, a rolinha inspirou. Tomaram pelas patas o príncipe que a canção acompanhou. E o bater das asas, assaz ritmadas, à torre o levou; que com uma janela aberta o visitante regalou.

Entrando por ali, a beleza esplendorosa. Deitada sob o dossel a amada esperançosa. Inclinou-se sobre a bela, que aguardava um beijo seu. Mas cessou por um momento e o beijo arrefeceu. O menino já dormia para o homem acordar. Amanhã já é segunda, ele deve retornar. A torre está vazia.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Tema para as férias

Isso mesmo, o Duelo de Escritores entra em férias essa semana, mas não deixa de criar por causa disso. A rodada será extendida, e ao invés de terminar no dia 30, irá terminar apenas no dia 10 de janeiro, juntando duas rodadas em uma só.

Mais tempo para os duelistas escreverem, mais tempo para os leitores votarem!

Assim, os duelistas deverão postar seus textos com o prazo máximo do dia 6 de janeiro.

E como férias é tempo de voltar a ser criança, aí vai o tema desta rodada:

"Fábula infantil".

Divirtam-se!