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segunda-feira, 27 de abril de 2009
INVISÍVEL II
Algum tempo se passou desde a última vez que Mica foi visitar o seu tatuador predileto. Ela já não era mais uma menininha e nem tampouco imaculada. Mas ainda tinha a mesma pele alva e sem manchas de anos anteriores. Embora gostasse mesmo de sentir as agulhas cravadas em sua derme, criando e recriando imagens visíveis apenas por alguns instantes em meio ao sangue que vertia do seu próprio corpo, agora ela sentia necessidade da tinta.
Seria uma quebra de seus próprios paradigmas e não queria que fosse algo pequeno. Ouvia comentários de tatuados com a expressão “fechar as costas” e, por um momento, pensou que esse fosse o caminho. Uma mulher com a pele macia, clara e sem uma mancha sequer, mas com um segredo a revelar tão logo fosse despida. A ideia não foi levada adiante, pois se as costas estivessem todas tomadas pela tinta, não poderia usar roupas que deixassem os ombros à mostra, e ela sabia que isso era algo que não poderia abrir mão.
Ligou para Denis marcando o horário. Em meio a sua agenda repleta de compromissos profissionais não havia mais aquela folga toda após as aulas, como na época em que ainda era uma jovem estudante. Mas ela ainda lembrava o caminho para sua diversão predileta de anos atrás.
- Oi, Mica. Quanto tempo, hein?!
- Pois é. O tempo hoje em dia está cada vez mais escasso.
- Já tem algo em mente pra hoje?
- Sim, hoje vou querer com tinta.
Denis parecia perturbado. Aquele desejo súbito por marcar a pela com tinta era algo que não esperava de sua cliente. Não daquela cliente, pelo menos. Mas, mesmo visivelmente desapontado, foi preparar os materiais.
- Sabe de uma coisa, Denis. Vamos fazer do jeito de sempre. Mas hoje quero fechar as costas.
Denis tornou a sorrir.
Seria uma quebra de seus próprios paradigmas e não queria que fosse algo pequeno. Ouvia comentários de tatuados com a expressão “fechar as costas” e, por um momento, pensou que esse fosse o caminho. Uma mulher com a pele macia, clara e sem uma mancha sequer, mas com um segredo a revelar tão logo fosse despida. A ideia não foi levada adiante, pois se as costas estivessem todas tomadas pela tinta, não poderia usar roupas que deixassem os ombros à mostra, e ela sabia que isso era algo que não poderia abrir mão.
Ligou para Denis marcando o horário. Em meio a sua agenda repleta de compromissos profissionais não havia mais aquela folga toda após as aulas, como na época em que ainda era uma jovem estudante. Mas ela ainda lembrava o caminho para sua diversão predileta de anos atrás.
- Oi, Mica. Quanto tempo, hein?!
- Pois é. O tempo hoje em dia está cada vez mais escasso.
- Já tem algo em mente pra hoje?
- Sim, hoje vou querer com tinta.
Denis parecia perturbado. Aquele desejo súbito por marcar a pela com tinta era algo que não esperava de sua cliente. Não daquela cliente, pelo menos. Mas, mesmo visivelmente desapontado, foi preparar os materiais.
- Sabe de uma coisa, Denis. Vamos fazer do jeito de sempre. Mas hoje quero fechar as costas.
Denis tornou a sorrir.
Invisível
Quando ela saiu, ele arrumou os apetrechos deixados sobre a mesa. Limpou a máquina, retirou a agulha e recolheu os pedaços de gaze ainda úmidos de sangue. Foi até a porta de vidro e trancou-a, fechando as cortinas por detrás, sem esperar por mais clientes durante a tarde. De volta ao estúdio, Denis pegou a máquina fotográfica, discretamente apoiada ao lado do grande espelho. Deixava suas mãos tremerem visivelmente agora: fazia muito tempo...
Apagou a luz e foi para trás da cortina, onde apenas a tela de um laptop brilhava sobre uma mesinha. Encaixou os fios e deixou os dados fluírem entre as máquinas. Sentado no escuro, ele aguardava, enquanto encostava as gazes no rosto e aspirava o aroma do sangue coagulado. Tendo baixado o que queria, deixou o vídeo rodar várias vezes. Ali estava ele, acariciando suas coxas disfarçadamente enquanto trabalhava, observando sua deliciosa beleza juvenil enquanto ela se contorcia para enxergar seu trabalho. Ele tentava trabalhar o mais próximo possível, mas sem constranger a garota. Mesmo sob a máscara, sentia o cheiro forte de sua fertilidade, tão próxima, tão ao alcance... Ah, se não fosse pelas malditas luvas...
Masturbou-se violentamente, várias vezes, enquanto observava o vídeo. Ela tentava fitar o espelho e, quando o fazia, era quase como se estivesse olhando nos olhos da câmera. Olhos que, naquele momento, eram os seus. Sim, ele a teria... Em algum momento ela seria sua... Ele não sabia quando, nem como, mas em alguma de suas visitas ele fecharia as cortinas da porta de vidro e aquela alva pele seria o palco para outras artes.
Talvez ela se oferecesse abertamente, pois não era seu pêlo que se eriçava quando era tocada? Não percebia ele a rigidez dos bicos de seus seios por baixo das roupas? Mas Denis poderia obter o que queria por outros meios. Se ela fazia desenhos invisíveis, era porque os pais eram rígidos, e ele poderia fazer chantagem... Ou talvez tivesse que usar a força?.. Ele tentava espantar esses pensamentos perversos, mas tremia de pavor e excitação ao fantasiar a cena. Ainda tinha muito medo das conseqüências, mas uma hora ele mandaria tudo ao inferno. E então a teria... Ah, sim! Ele tornaria seu desejo visível e a teria, toda só para si...
Apagou a luz e foi para trás da cortina, onde apenas a tela de um laptop brilhava sobre uma mesinha. Encaixou os fios e deixou os dados fluírem entre as máquinas. Sentado no escuro, ele aguardava, enquanto encostava as gazes no rosto e aspirava o aroma do sangue coagulado. Tendo baixado o que queria, deixou o vídeo rodar várias vezes. Ali estava ele, acariciando suas coxas disfarçadamente enquanto trabalhava, observando sua deliciosa beleza juvenil enquanto ela se contorcia para enxergar seu trabalho. Ele tentava trabalhar o mais próximo possível, mas sem constranger a garota. Mesmo sob a máscara, sentia o cheiro forte de sua fertilidade, tão próxima, tão ao alcance... Ah, se não fosse pelas malditas luvas...
Masturbou-se violentamente, várias vezes, enquanto observava o vídeo. Ela tentava fitar o espelho e, quando o fazia, era quase como se estivesse olhando nos olhos da câmera. Olhos que, naquele momento, eram os seus. Sim, ele a teria... Em algum momento ela seria sua... Ele não sabia quando, nem como, mas em alguma de suas visitas ele fecharia as cortinas da porta de vidro e aquela alva pele seria o palco para outras artes.
Talvez ela se oferecesse abertamente, pois não era seu pêlo que se eriçava quando era tocada? Não percebia ele a rigidez dos bicos de seus seios por baixo das roupas? Mas Denis poderia obter o que queria por outros meios. Se ela fazia desenhos invisíveis, era porque os pais eram rígidos, e ele poderia fazer chantagem... Ou talvez tivesse que usar a força?.. Ele tentava espantar esses pensamentos perversos, mas tremia de pavor e excitação ao fantasiar a cena. Ainda tinha muito medo das conseqüências, mas uma hora ele mandaria tudo ao inferno. E então a teria... Ah, sim! Ele tornaria seu desejo visível e a teria, toda só para si...
domingo, 26 de abril de 2009
Eterna
- Tem certeza?
- Sim, já pensei bastante nisso.
- Mesmo?
- Mesmo.
- Mas por que a mudança?
- É hora de mudar. É hora de ser eterno.
- E se você se arrepender?
- Daí eu vou sempre olhar para ele e relembrar. E crescer.
-Acho estranho, você era diferente.
- Só por que não usava tintas? Era apenas mais uma que você tatuava.
- Mas era diferente, você era especial.
- E continuarei sendo. Mas agora serei especial de outra forma.
- E para outra pessoa.
- E para outra pessoa.
Foram as últimas palavras que trocaram antes do motor começar a vibrar as agulhas no ar. Na nuca da menina, um coração com as letras iniciais de seu nome e do nome do namorado. Uma tatuagem comum, normal. Mas para ele, aquela foi a tatuagem mais difícil de se fazer.
- Sim, já pensei bastante nisso.
- Mesmo?
- Mesmo.
- Mas por que a mudança?
- É hora de mudar. É hora de ser eterno.
- E se você se arrepender?
- Daí eu vou sempre olhar para ele e relembrar. E crescer.
-Acho estranho, você era diferente.
- Só por que não usava tintas? Era apenas mais uma que você tatuava.
- Mas era diferente, você era especial.
- E continuarei sendo. Mas agora serei especial de outra forma.
- E para outra pessoa.
- E para outra pessoa.
Foram as últimas palavras que trocaram antes do motor começar a vibrar as agulhas no ar. Na nuca da menina, um coração com as letras iniciais de seu nome e do nome do namorado. Uma tatuagem comum, normal. Mas para ele, aquela foi a tatuagem mais difícil de se fazer.
sábado, 25 de abril de 2009
Alegria, alegria
E ele acariciou a nuca dela, sem saber que a ponta dos seus dedos deslizava sobre a tristeza. Conseguia tocá-la.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Invisíveis
Estacionou a minivan francesa sob uma árvore em frente à boutique de roupas da moda. Conferiu a maquiagem no retrovisor interno. O batom cor de pêssego delineando os lábios, a sombra discreta num tom acobreado-esfumaçado, os olhos contornados pela delgada linha negra donde partiam os cílios alongados à rímel. Acionou o alarme sem olhar para trás enquanto os scarpins cor de areia iam pisando o branco e preto da calçada arborizada. Cruzou a rua no final da quadra e entrou no terreno de gramado bem cortado. A porta de vidro embaixo do letreiro em preto e prata do estúdio refletia os cabelos alourados em salão, o tailleur sobreposto a uma camisete branca, o pescoço envolto por duas voltas de ouro branco, a saia pouco acima dos joelhos revelando as pernas recém depiladas que terminavam nos calçados que já pisavam o capacho. A porta se abriu fazendo soar uma campainha eletrônica. Não demorou muito o homem saiu de trás da cortina, tirou a máscara do rosto para revelar um sorriso e disse:
— Bem no horário, Amanda. Só uns cinco minutos e já atendo você, tá?
Ela sorriu de volta em consentimento, cruzou devagar as pernas e pegou uma revista de tatuagens para folhear. A agulha se fez ruidosa do outro lado da cortina sobre a pele de algum desconhecido. Em pouco tempo silenciou. Mais uns minutos depois e o tatuador saiu de trás da cortina com um rapaz jovem de alargador na orelha e o pulso inchado por uma recém terminada tatuagem. O tatuador acompanhou o rapaz à porta, despediu-se e tornou a fechar a porta. Conferiu o relógio na parede e falou:
— Prontinho. Você é o último horário da manhã, o próximo cliente é só lá pelo meio-dia. Agora eu sou todo seu.
Ela sorriu sincera e se levantou, deixando a revista sobre a cadeira. Ele a acompanhou ao outro lado da cortina, logo depois de lançar um último olhar à porta.
Do outro lado da cortina, mais quadros na parede branca, com corpos coloridos em molduras minimalistas. A parede do fundo era de um tom berinjela, as laterais brancas e o piso preto brilhante como o da recepção. Um cabide aguardava num canto próximo à maca e um grande espelho ocupava parte da parede ao lado da mesma. A mulher pendurou o tailleur no cabide, ao que o espelho refletiu um decote revelador na camisete. Pelo reflexo ela pôde ver os braços decorados a envolverem e o rosto sorridente aparecer, por trás, ao lado do seu. Ela sorriu para si mesma. Virou-se e, num movimento rápido, foi colocada sentada sobre a maca. Sentiu a mão habilidosa subir-lhe pelas pernas lisas e pelas ânsias comprimidas no peito. Um punho agarrou-lhe a lingerie por entre as pernas e puxou-a junto com repreensões arraigadas, e entulhos de expectativas não cumpridas. Sentiu a saia subir-lhe ao ventre carente e ofereceu o peito aberto, amplo e leve a outro peito livre. Sentiu um coração bater contra o outro, como dois corações deveriam bater, deixou-se penetrar além da carne. Sentiu a agulha entrar e sair seguindo seu traçado, deixou-se possuir pela arte, pelo artista, por ela mesma. Lançou o corpo para trás e, com as costas sobre a maca, pode ver-se no espelho, de ponta cabeça, os cabelos louros pendurados e o corpo seguro por braços de um colorido bonito. Viu-se sorrir um sorriso pêssego.
Fechou o botão aberto da camisete ajeitando a corrente de ouro branco. Conferiu a aparência no espelho e observou as marcas que ninguém via. Invisíveis, mas mais coloridas que os corpos na parede, mais brilhantes, mais vistosas. Olhou para o homem que retornava do banheiro, sorriu menina e fez um tchauzinho com a mão, depois de assoprar um beijo. Saiu pela porta de vidro pelas calçadas branquepretas sem olhar para trás.
O homem conferiu o relógio. Em meia hora arrumou o estúdio, higienizou todo o lugar, conferiu a agenda. Logo a menina estranha chegaria. Ele gostava dela. Garota bacana. Michaela – 12h15. Ouviu a porta abrindo e saiu de trás da cortina.
— Oi, Mica! Quanto tempo! Bem no horário.
— Oi, Denis. Ainda lembra de mim?
A única menina que ele conheceu ou ouvir falar que fazia tatuagens sem tinta. Assim, a sessão não demorou. Em duas horas a cliente olhava-se no espelho, com a saia levemente levantada. A menina pagou o tatuador, despediu-se com um beijo no rosto, e saiu feliz com a saia balançando pela calçada e os cabelos achocolatados vivos sob o sol. Percorreu as quadras até o prédio onde morava, cumprimentou o porteiro simpático e entrou no elevador no térreo. Apertou o botão do décimo primeiro andar e o aparelho se pôs em movimento. No display escuro apareceu em vermelho a sigla “G1”. A porta se abriu e a garota ruborizou-se à visão da mãe. A mulher hesitou por um instante e logo entrou no elevador.
— Oi, fofinha. Como foi lá na Renata?
— Tudo bem — Respondeu a menina com um sorriso franco.
As duas olharam para a frente e viram, no espelho do elevador, dois sorrisos largos refletidos. Um vestido de saia de pregas e uniforme escolar; outro de tailleur, ouro branco e lábios de pêssego.
No espelho do estúdio, o homem se perguntava que tatuador que se preza teria as duas clientes mais fiéis sem uma marca sequer no corpo. “Tatuador de bosta”, pensou divertido rindo pra si mesmo.
— Bem no horário, Amanda. Só uns cinco minutos e já atendo você, tá?
Ela sorriu de volta em consentimento, cruzou devagar as pernas e pegou uma revista de tatuagens para folhear. A agulha se fez ruidosa do outro lado da cortina sobre a pele de algum desconhecido. Em pouco tempo silenciou. Mais uns minutos depois e o tatuador saiu de trás da cortina com um rapaz jovem de alargador na orelha e o pulso inchado por uma recém terminada tatuagem. O tatuador acompanhou o rapaz à porta, despediu-se e tornou a fechar a porta. Conferiu o relógio na parede e falou:
— Prontinho. Você é o último horário da manhã, o próximo cliente é só lá pelo meio-dia. Agora eu sou todo seu.
Ela sorriu sincera e se levantou, deixando a revista sobre a cadeira. Ele a acompanhou ao outro lado da cortina, logo depois de lançar um último olhar à porta.
Do outro lado da cortina, mais quadros na parede branca, com corpos coloridos em molduras minimalistas. A parede do fundo era de um tom berinjela, as laterais brancas e o piso preto brilhante como o da recepção. Um cabide aguardava num canto próximo à maca e um grande espelho ocupava parte da parede ao lado da mesma. A mulher pendurou o tailleur no cabide, ao que o espelho refletiu um decote revelador na camisete. Pelo reflexo ela pôde ver os braços decorados a envolverem e o rosto sorridente aparecer, por trás, ao lado do seu. Ela sorriu para si mesma. Virou-se e, num movimento rápido, foi colocada sentada sobre a maca. Sentiu a mão habilidosa subir-lhe pelas pernas lisas e pelas ânsias comprimidas no peito. Um punho agarrou-lhe a lingerie por entre as pernas e puxou-a junto com repreensões arraigadas, e entulhos de expectativas não cumpridas. Sentiu a saia subir-lhe ao ventre carente e ofereceu o peito aberto, amplo e leve a outro peito livre. Sentiu um coração bater contra o outro, como dois corações deveriam bater, deixou-se penetrar além da carne. Sentiu a agulha entrar e sair seguindo seu traçado, deixou-se possuir pela arte, pelo artista, por ela mesma. Lançou o corpo para trás e, com as costas sobre a maca, pode ver-se no espelho, de ponta cabeça, os cabelos louros pendurados e o corpo seguro por braços de um colorido bonito. Viu-se sorrir um sorriso pêssego.
Fechou o botão aberto da camisete ajeitando a corrente de ouro branco. Conferiu a aparência no espelho e observou as marcas que ninguém via. Invisíveis, mas mais coloridas que os corpos na parede, mais brilhantes, mais vistosas. Olhou para o homem que retornava do banheiro, sorriu menina e fez um tchauzinho com a mão, depois de assoprar um beijo. Saiu pela porta de vidro pelas calçadas branquepretas sem olhar para trás.
O homem conferiu o relógio. Em meia hora arrumou o estúdio, higienizou todo o lugar, conferiu a agenda. Logo a menina estranha chegaria. Ele gostava dela. Garota bacana. Michaela – 12h15. Ouviu a porta abrindo e saiu de trás da cortina.
— Oi, Mica! Quanto tempo! Bem no horário.
— Oi, Denis. Ainda lembra de mim?
A única menina que ele conheceu ou ouvir falar que fazia tatuagens sem tinta. Assim, a sessão não demorou. Em duas horas a cliente olhava-se no espelho, com a saia levemente levantada. A menina pagou o tatuador, despediu-se com um beijo no rosto, e saiu feliz com a saia balançando pela calçada e os cabelos achocolatados vivos sob o sol. Percorreu as quadras até o prédio onde morava, cumprimentou o porteiro simpático e entrou no elevador no térreo. Apertou o botão do décimo primeiro andar e o aparelho se pôs em movimento. No display escuro apareceu em vermelho a sigla “G1”. A porta se abriu e a garota ruborizou-se à visão da mãe. A mulher hesitou por um instante e logo entrou no elevador.
— Oi, fofinha. Como foi lá na Renata?
— Tudo bem — Respondeu a menina com um sorriso franco.
As duas olharam para a frente e viram, no espelho do elevador, dois sorrisos largos refletidos. Um vestido de saia de pregas e uniforme escolar; outro de tailleur, ouro branco e lábios de pêssego.
No espelho do estúdio, o homem se perguntava que tatuador que se preza teria as duas clientes mais fiéis sem uma marca sequer no corpo. “Tatuador de bosta”, pensou divertido rindo pra si mesmo.
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