06/ago/2008
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Game over!!!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Infinita BR
06/08/08
Você me faz correr demais
Os riscos desta highway
Yeah, man... Riscos é o que não falta aqui... Maldita estrada tosca. Não vejo quase nada. Se alguma vaca resolver passear à meia noite, que Deus tenha piedade dela. E de mim.
Você me faz correr atrás
Do horizonte desta highway
Antes fosse, meu velho. Infelizmente o que me faz correr não é ela. Por sinal, ela está exatamente na direção oposta... Cara, preciso de outro cigarro...
Ninguém por perto
O silêncio no deserto
Deserta Highway...
Não tanto quanto deveria. Eu querendo voar baixo a essa altura da minha vida, e tenho que ficar me preocupando com as tartarugas que dirigem morrendo de medo na noite. Se os caras não se enrolassem tanto com essa baboseira de duplicação pra lá, para cá, blábláblá... Ei, velhote, se quer dirigir assim devia ter saído de patinete! E ainda acha ruim... Droga, eu poderia estar mais sozinho. Ou não tão sozinho... Só o cigarro e o uísque. Nada dela...
Estamos sós
E nenhum de nós
Sabe exatamente
Onde vai parar
Obrigado, Gessinger. Era o apoio que eu estava precisando.
Oh, diabos, para onde estou indo? Preciso mesmo ir? Quero mesmo ir? Por que... Ok, cale a boca! Não precisa repetir pela milhonésima vez as mesmas perguntas. Sofrer de novo as mesmas dúvidas. Você tomou uma decisão e agora assuma ela como um homem. E pare de perguntar '..e se?", sua cabeça estúpida! Não me peça para repetir revoltas banais das quais eu já me esqueci.
Não, essa música só vai vir depois. Assim como o esquecimento...
Estamos vivos e isto é tudo
É sobretudo, a lei
Da Infinita Highway...
Ha, ha, ha! Que presunção chamar a nossa BR esburacada de highway, hein, seu Humberto? Aqui não tem lei. Quero dizer, tem sim, algumas. E estou quebrando pelo menos umas três no momento.
Sim, eu tinha medo, muito medo desta estrada. Olhe só, veja você. Eu viva e morria na cidade? Certamente não tinha tudo ao meu redor. Por sinal, eu não tinha nada. Nada além de olhos claros e um belo par de peitos. Um pedaço de carne. E não podia ficar limitado a isso, não é? Afinal, tudo o que eu sentia era que algo me faltava. Isso mesmo, meu caro arquiteto. Vivemos por nós mesmos, não podemos nos acorrentar aos outros e nos limitarmos por isso, não é?
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Obrigado novamente. Tais fazendo um belo papel levantando minha moral. Eu tenho objetivos, ok? Eu tenho! E é isso que está me levando agora por essa merda de highway... BR... que seja... Ah, mais um trago, por favor. Esse é o bom e velho companheiro uísque... Aquele que eu costumava tomar, sempre... Sempre em companhia... Sempre em companhia d... CARALHO! VAI DIRIGIR ASSIM NO INFERNO, RETARDADO! Eu que bebo e os outros que fazem cagada! Porra, foi por pouco...
Tudo bem, garota não adianta mesmo ser livre
Se tanta gente vive, sem ter como viver
Mas ser livre não é viver, cara? Maldições, por que eu não estou aliviado como deveria? Me decidi, nada tenho a perder, o que mais eu poderia querer?
Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos para estar?
...
Filho da puta.
Palavras escondidas e entrelinhas... Ela quis dizer algo nas entrelinhas? Sim, nem por um instante deu para acreditar no seu "tudo bem". Não, não estava bem. Não estava bem para ela. Mas se estava para mim, tudo bem não? Estava para mim? Olhos claros, marejados... Aquela lágrima disfarçada... Merda, aquela maldita lágrima disfarçada...
Eu vejo o horizonte trêmulo
Será o uísque?
Eu tenho os olhos úmidos
Porra, a quem quero enganar?
Eu posso estar completamente enganado
A mim mesmo?
Eu posso estar correndo para o lado errado
Qual o lado em que ela está, mesmo?
Mas a dúvida é o preço da pureza
Não estou me sentindo tão puro...
E é inútil ter certeza
...
Eu vejo as placas dizendo "não corra"...
... nem a pau!
..."não morra"...
Óbvio...
..."não fume"
... será?
Eu vejo as placas cortando o horizonte
E o meu coração... elas parecem...
... facas de dois gumes
Aaahhh... Obrigado pelo solo, Licks. Se eu continuasse ouvindo aquele desgraçado falando... Por que bebi? Agora pareço um viado tendo que enxugar a cara, além da garrafa...
...
Merda, não pensei que eu poderia ficar assim. Não pensei que fosse chegar a esse ponto. Que ela chegasse a dizer tudo aquilo, mas não falasse outro tanto. Que se eu virasse as costas, era para não mais voltar. Por que a vida tem que ser tão confusa? América Central é fichinha, cara. Que vontade de ouvir a voz dela... Não, ela iria desligar. Abstrato não, mas bêbado sim. Mas eu tinha que dizer para ela... Eu não estava à toa do teu lado... Merda, eu sou um merda... Merda... Pisa fundo nessa merda... Merda!!! MEEEERRRDAAAA!!!!
Cento e dez...
DUZENTOS E DEZ, seu caipira dos anos oitenta!!!!
Cento e vinte....
SAI DA FRENTE SEU BOSTA!!!!!
Cento e sessenta...
VAMOS VER...
Só pra ver...
... ATÉ ONDE...
... até onde...
... ESSA PORRA DE CORAÇÃO...
... o motor...
... AGUENTA!!!!!!!..............
* * *
O carro destroçado na curva perigosa saiu na capa dos jornais do outro dia. Uns disseram que isso mostrava como a lei seca de nada adiantava. Outros colocaram mais um acidente nos seus argumentos a favor da aceleração da duplicação. A maioria reagiu como os computadores do departamento de trânsito, adicionando mais uma unidade a uma série de planilhas esquecidas no fundo de um disco rígido orgânico. "Quarenta e três no ano" foi em que se tornou uma boca que, sem beijos nem chicletes de menta, deixou uma sombra num rosto que não mais sorria, nos confins da infinita highway.
Você me faz correr demais
Os riscos desta highway
Yeah, man... Riscos é o que não falta aqui... Maldita estrada tosca. Não vejo quase nada. Se alguma vaca resolver passear à meia noite, que Deus tenha piedade dela. E de mim.
Você me faz correr atrás
Do horizonte desta highway
Antes fosse, meu velho. Infelizmente o que me faz correr não é ela. Por sinal, ela está exatamente na direção oposta... Cara, preciso de outro cigarro...
Ninguém por perto
O silêncio no deserto
Deserta Highway...
Não tanto quanto deveria. Eu querendo voar baixo a essa altura da minha vida, e tenho que ficar me preocupando com as tartarugas que dirigem morrendo de medo na noite. Se os caras não se enrolassem tanto com essa baboseira de duplicação pra lá, para cá, blábláblá... Ei, velhote, se quer dirigir assim devia ter saído de patinete! E ainda acha ruim... Droga, eu poderia estar mais sozinho. Ou não tão sozinho... Só o cigarro e o uísque. Nada dela...
Estamos sós
E nenhum de nós
Sabe exatamente
Onde vai parar
Obrigado, Gessinger. Era o apoio que eu estava precisando.
Oh, diabos, para onde estou indo? Preciso mesmo ir? Quero mesmo ir? Por que... Ok, cale a boca! Não precisa repetir pela milhonésima vez as mesmas perguntas. Sofrer de novo as mesmas dúvidas. Você tomou uma decisão e agora assuma ela como um homem. E pare de perguntar '..e se?", sua cabeça estúpida! Não me peça para repetir revoltas banais das quais eu já me esqueci.
Não, essa música só vai vir depois. Assim como o esquecimento...
Estamos vivos e isto é tudo
É sobretudo, a lei
Da Infinita Highway...
Ha, ha, ha! Que presunção chamar a nossa BR esburacada de highway, hein, seu Humberto? Aqui não tem lei. Quero dizer, tem sim, algumas. E estou quebrando pelo menos umas três no momento.
Sim, eu tinha medo, muito medo desta estrada. Olhe só, veja você. Eu viva e morria na cidade? Certamente não tinha tudo ao meu redor. Por sinal, eu não tinha nada. Nada além de olhos claros e um belo par de peitos. Um pedaço de carne. E não podia ficar limitado a isso, não é? Afinal, tudo o que eu sentia era que algo me faltava. Isso mesmo, meu caro arquiteto. Vivemos por nós mesmos, não podemos nos acorrentar aos outros e nos limitarmos por isso, não é?
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Obrigado novamente. Tais fazendo um belo papel levantando minha moral. Eu tenho objetivos, ok? Eu tenho! E é isso que está me levando agora por essa merda de highway... BR... que seja... Ah, mais um trago, por favor. Esse é o bom e velho companheiro uísque... Aquele que eu costumava tomar, sempre... Sempre em companhia... Sempre em companhia d... CARALHO! VAI DIRIGIR ASSIM NO INFERNO, RETARDADO! Eu que bebo e os outros que fazem cagada! Porra, foi por pouco...
Tudo bem, garota não adianta mesmo ser livre
Se tanta gente vive, sem ter como viver
Mas ser livre não é viver, cara? Maldições, por que eu não estou aliviado como deveria? Me decidi, nada tenho a perder, o que mais eu poderia querer?
Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos para estar?
...
Filho da puta.
Palavras escondidas e entrelinhas... Ela quis dizer algo nas entrelinhas? Sim, nem por um instante deu para acreditar no seu "tudo bem". Não, não estava bem. Não estava bem para ela. Mas se estava para mim, tudo bem não? Estava para mim? Olhos claros, marejados... Aquela lágrima disfarçada... Merda, aquela maldita lágrima disfarçada...
Eu vejo o horizonte trêmulo
Será o uísque?
Eu tenho os olhos úmidos
Porra, a quem quero enganar?
Eu posso estar completamente enganado
A mim mesmo?
Eu posso estar correndo para o lado errado
Qual o lado em que ela está, mesmo?
Mas a dúvida é o preço da pureza
Não estou me sentindo tão puro...
E é inútil ter certeza
...
Eu vejo as placas dizendo "não corra"...
... nem a pau!
..."não morra"...
Óbvio...
..."não fume"
... será?
Eu vejo as placas cortando o horizonte
E o meu coração... elas parecem...
... facas de dois gumes
Aaahhh... Obrigado pelo solo, Licks. Se eu continuasse ouvindo aquele desgraçado falando... Por que bebi? Agora pareço um viado tendo que enxugar a cara, além da garrafa...
...
Merda, não pensei que eu poderia ficar assim. Não pensei que fosse chegar a esse ponto. Que ela chegasse a dizer tudo aquilo, mas não falasse outro tanto. Que se eu virasse as costas, era para não mais voltar. Por que a vida tem que ser tão confusa? América Central é fichinha, cara. Que vontade de ouvir a voz dela... Não, ela iria desligar. Abstrato não, mas bêbado sim. Mas eu tinha que dizer para ela... Eu não estava à toa do teu lado... Merda, eu sou um merda... Merda... Pisa fundo nessa merda... Merda!!! MEEEERRRDAAAA!!!!
Cento e dez...
DUZENTOS E DEZ, seu caipira dos anos oitenta!!!!
Cento e vinte....
SAI DA FRENTE SEU BOSTA!!!!!
Cento e sessenta...
VAMOS VER...
Só pra ver...
... ATÉ ONDE...
... até onde...
... ESSA PORRA DE CORAÇÃO...
... o motor...
... AGUENTA!!!!!!!..............
* * *
O carro destroçado na curva perigosa saiu na capa dos jornais do outro dia. Uns disseram que isso mostrava como a lei seca de nada adiantava. Outros colocaram mais um acidente nos seus argumentos a favor da aceleração da duplicação. A maioria reagiu como os computadores do departamento de trânsito, adicionando mais uma unidade a uma série de planilhas esquecidas no fundo de um disco rígido orgânico. "Quarenta e três no ano" foi em que se tornou uma boca que, sem beijos nem chicletes de menta, deixou uma sombra num rosto que não mais sorria, nos confins da infinita highway.
Mais um
- Aí Jandir, mais um. Aqui no 66.
- Porra cara, de novo? A gente mal chegou aqui.
- Eu sei, mas não posso fazer nada. Manda o pessoal aqui logo, que tá espalhando na pista e isso aqui vai ficar liso pacas.
- Beleza Serginho. ‘Tamo indo aí. Segura as pontas.
Jandir desliga o telefone, soa o alarme e veste a parte de cima do macacão, que estava pendurada pela cintura. Toma um gole do café, já frio, e segue caminho até o quilômetro 66 da BR 470, em direção ao litoral. Sexta-feira, trânsito intenso, uma ultrapassagem mal-sucedida e dois carros se chocam com brutalidade. O mesmo cenário, a mesma situação, a mesma correria para salvar vidas perdidas da forma mais tola e insignificante possível.
- Essa foi feia mesmo. Sobrou alguém?
- Nada. Nada de nada.
- Merda. Documento, alguma coisa?
- Já repassei tudo. Família indo pra praia, caminhoneiro com carga acima do limite, não dá tempo de frear, a ondulação na pista esconde o outro vindo do outro lado. A mesma história de sempre.
- Merda. Dá de perder a conta.
- Não, não dá. Fica marcado na cabeça. Esse aqui foi o 18º de hoje. Tem noção disso? É muita coisa.
- É... e no final do mês, 18 é quase nada...
- Nem fala. Deixa eu ir ali arrumar a papelada.
Papelada. Duas famílias se transformam, com a velocidade de uma colisão, em números. Estatísticas de um mundo violento. Estatísticas da burocracia que atrasa e apaga vidas. Números que se esquecem, que perdem o significado, que se amarelam junto com as folhas envelhecidas do jornal. Número que não significam nada. Vidas que passam a significar ainda menos.
- Porra cara, de novo? A gente mal chegou aqui.
- Eu sei, mas não posso fazer nada. Manda o pessoal aqui logo, que tá espalhando na pista e isso aqui vai ficar liso pacas.
- Beleza Serginho. ‘Tamo indo aí. Segura as pontas.
Jandir desliga o telefone, soa o alarme e veste a parte de cima do macacão, que estava pendurada pela cintura. Toma um gole do café, já frio, e segue caminho até o quilômetro 66 da BR 470, em direção ao litoral. Sexta-feira, trânsito intenso, uma ultrapassagem mal-sucedida e dois carros se chocam com brutalidade. O mesmo cenário, a mesma situação, a mesma correria para salvar vidas perdidas da forma mais tola e insignificante possível.
- Essa foi feia mesmo. Sobrou alguém?
- Nada. Nada de nada.
- Merda. Documento, alguma coisa?
- Já repassei tudo. Família indo pra praia, caminhoneiro com carga acima do limite, não dá tempo de frear, a ondulação na pista esconde o outro vindo do outro lado. A mesma história de sempre.
- Merda. Dá de perder a conta.
- Não, não dá. Fica marcado na cabeça. Esse aqui foi o 18º de hoje. Tem noção disso? É muita coisa.
- É... e no final do mês, 18 é quase nada...
- Nem fala. Deixa eu ir ali arrumar a papelada.
Papelada. Duas famílias se transformam, com a velocidade de uma colisão, em números. Estatísticas de um mundo violento. Estatísticas da burocracia que atrasa e apaga vidas. Números que se esquecem, que perdem o significado, que se amarelam junto com as folhas envelhecidas do jornal. Número que não significam nada. Vidas que passam a significar ainda menos.
Ao planário e a quem interessar,
Como não me deixam pegar a caneta para escrever, estou ditando cada uma dessas palavras. Tenho ela em mente desde aquele dia, não sei se há horas ou meses atrás, quando eu vi o dia pela última vez. As cores e as imagens me soam perfeitas. Lembro, em relances, de algumas cenas da minha infância em que, no cinema, víamos pessoas viajando com seus óculos escuros e cantarolando em família canções que soavam um pouco do que sentiam. Mesmo que desafinados, nós vivíamos aquele momento.
Eu tenho duas filhas, sabe. São lindas. A última cena que eu quero ver são seus olhares felizes e não da forma como me olham agora. Paradas em minha frente, seus semblantes forçam um otimismo que já não me convence. Mas eu entendo, elas estão vendo seu pai morrer.
Agora, decidiram por me deixar acordar o corpo também e eu já não via a hora. Porque na minha mente eu não tenho descansado. Vejo e re-vejo cada uma das cenas da minha vida. Das últimas, trágicas, às primeiras, extremamente felizes. Nessas horas, aprisionado na própria cabeça, a gente percebe o quanto se era feliz na intolerância e no sacrifício.
Eu provavelmente entrarei nas próximas horas para as estatísticas lutos em decorrência dos acidentes na rodovia da morte. E eu não poderia deixar de expressar a minha dor. Não, não sinto remorso, raiva e muito menos ódio de todos vocês, seus carcamanos insosos de vida e de sentimentos. Eu só sinto dor, uma dor aguda em saber que não sou o primeiro que se vai no auge da vida e que eu não vou estar aqui pra poder fazer nada pra alterar esse quadro.
Não deixo a vocês ovadas, cuspidas e uma mão (que embora tenha cinco dedos, mostraria apenas um, o do meio). Deixo a vocês um pouco da dor que eu sinto, que não é física. É a sensação de ir embora e deixar que a falta de um pedaço de asfalto se transforme na falta de um ser humano. Deixo vocês com as lágrimas da minha família, que agora chora e com rios já chorados por tantas outras esposas, irmãs, filhas.
Osmar
PS: Aos meus familiares, o meu amor, de onde quer que eu esteja.
Eu tenho duas filhas, sabe. São lindas. A última cena que eu quero ver são seus olhares felizes e não da forma como me olham agora. Paradas em minha frente, seus semblantes forçam um otimismo que já não me convence. Mas eu entendo, elas estão vendo seu pai morrer.
Agora, decidiram por me deixar acordar o corpo também e eu já não via a hora. Porque na minha mente eu não tenho descansado. Vejo e re-vejo cada uma das cenas da minha vida. Das últimas, trágicas, às primeiras, extremamente felizes. Nessas horas, aprisionado na própria cabeça, a gente percebe o quanto se era feliz na intolerância e no sacrifício.
Eu provavelmente entrarei nas próximas horas para as estatísticas lutos em decorrência dos acidentes na rodovia da morte. E eu não poderia deixar de expressar a minha dor. Não, não sinto remorso, raiva e muito menos ódio de todos vocês, seus carcamanos insosos de vida e de sentimentos. Eu só sinto dor, uma dor aguda em saber que não sou o primeiro que se vai no auge da vida e que eu não vou estar aqui pra poder fazer nada pra alterar esse quadro.
Não deixo a vocês ovadas, cuspidas e uma mão (que embora tenha cinco dedos, mostraria apenas um, o do meio). Deixo a vocês um pouco da dor que eu sinto, que não é física. É a sensação de ir embora e deixar que a falta de um pedaço de asfalto se transforme na falta de um ser humano. Deixo vocês com as lágrimas da minha família, que agora chora e com rios já chorados por tantas outras esposas, irmãs, filhas.
Osmar
PS: Aos meus familiares, o meu amor, de onde quer que eu esteja.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
O último beijo
Ele não estava pronto para conhecê-la.
Estava deixando alguém para trás, procurando um novo caminho.
Mas o encontro foi arrebatador.
Tudo de repente iluminou-se.
Ele viu a luz nos olhos arregalados dela.
Ela viu o rosto dele iluminar-se.
Foram um ao encontro do outro.
Música romântica no rádio,
o abraço dos motores,
o metal entrelaçando-se,
os faróis apagando-se e deixando-os à meia-luz.
O vidro partido, janela aberta para o encontro.
Os rostos colados, unidos, sem início ou fim.
Perdendo-se, um no outro,
num último beijo.
Estava deixando alguém para trás, procurando um novo caminho.
Mas o encontro foi arrebatador.
Tudo de repente iluminou-se.
Ele viu a luz nos olhos arregalados dela.
Ela viu o rosto dele iluminar-se.
Foram um ao encontro do outro.
Música romântica no rádio,
o abraço dos motores,
o metal entrelaçando-se,
os faróis apagando-se e deixando-os à meia-luz.
O vidro partido, janela aberta para o encontro.
Os rostos colados, unidos, sem início ou fim.
Perdendo-se, um no outro,
num último beijo.
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