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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Votação - Pintura Abstrata

Está aberta a votação para o tema "Foto: PINTURA ABSTRATA".

Para votar basta comentar neste espaço até o dia 20 de Agosto, indicando qual foi o melhor texto. Participe!


* Peço desculpas ao público e aos duelistas por não participar desta
rodada.

domingo, 16 de agosto de 2009

Abstrato

Acendeu o cigarro negro, puxou o ar fazendo força e, e antes de soltar a fumaça, vociferou:
- Como assim, só isso?
- Só isso? Mas senhora, este é um raríssimo Kandinsky.
- Kandinsky? Pro inferno com isso! Não me interessaria nem que fosse um Gabbana.
- Senhora, é uma das obras de arte mais respeitadas dos últimos séculos.
- Ah, é? Pois eu só vejo cubos mágicos e uma droga de uma cabeça mal desenhada! O que mais ele me deixou?
- Apenas o quadro, minha senhora. Mas a senhora tem que entender que...
- Entender? Pois eu digo a você quem é que tem que entender alguma coisa aqui. Eu tive que aguentar esse porco roncando do meu lado durante todos esses anos para receber uma porcaria de um desenho? Ele é dono de fazendas, diabo! Onde estão as mansões e os carros importados?
- Está no testamento, madame. A casa continua com a senhora, é claro. Além disso, o patrão deixou este valiosíssimo exemplar artístico. Já foi procurado por diversos museus.
- Então porque não vende logo essa porcaria? Pode fazer um cheque, porque na minha parede é que essa coisa sem sentido não vai ficar pendurada.
Apagou o cigarro no cinzeiro de mármore, descruzou as pernas e deixou a sala. Com um olhar de desdém, jogou as folhas sem assinatura em cima da mesa de reuniões. O quadro, guardado por um forte sistema de segurança, continuou trancafiado por anos ainda, aguardando o dia que voltaria para o seu lugar: junto ao público.

A canção do vidente sem rosto

Em um reino distante
Brilham o sol e a lua
Mas, em dado instante
A danação se configura

Apu, a Grande Serpente
Se ergue em fogo e fúria
Acolá estremece o vidente
Serão eras de dor e penúria

Reza a ancestral profecia
Não haveria o apocalipse
Pois a paz Apu encontraria
No buraco negro do eclipse

Mas o monstro impaciente
Pelo negro sol não espera
Sua imponência não mente
A fome consome a fera

No reino não há descanso
O rei abandona seu posto
E o camponês no remanso
Ouve o vidente sem rosto

“São tempos de inglória
Mas há esperança nos dias
Pois se erguerão da escória
Nossos insuspeitos messias”

“Cinco serão os amigos
Unidos por sangue e aventura
Dispostos a encarar os perigos
Que se cante a sua bravura!”

Vindo de terras baixas e bravias
O guerreiro Odedã, anão de valor
Ao lado do que indica as vias
Dinar Doric, o elfo rastreador

Laruan, com o fogo no fim
Um feiticeiro de poucas ações
Com o pequeno Hodin Nim
Que furtivo invade negros salões

Porém cada herói fica diminuto
Próximos ao seu líder valoroso
Para salvar o mundo em luto
Unidos por Doméi, cavaleiro poderoso

Sem perder tempo parte a companhia
Não sem ouvir o vidente a última vez
“Há muitos perigos, Apu não é sozinha
E que Mepala Serandon esteja com vocês”

O Arrigab atravessam incansáveis
Deserto que traga os irresolutos
E se esquivam de terrores improváveis
O Abismo de Gobium de enigmas ocultos

Os desertos e abismos se acanham
Pelas ameaças que estão pela frente
O horror e desespero que acompanham
Quem invade a Floresta dos Holpentes

Só com sua firmeza de espírito
Os heróis sobrevivem ao Holpente
Ente horroroso de conto e mito
Que louva Apu, a Grande Serpente

De sofrimento a saga se faz
Medo assola o piromante
Não podem olhar para trás
O final se revela adiante

Saindo da mata de sombra
Vacila até o temerário
Mesmo Doméi se assombra
Com o pavor daquele cenário

Sobre os montes gêmeos de Gabos
Repousa o imponente colosso
Com Holpentes cercando seus lados
Sem se aproximar do ser ominoso

Encarando seu desafio final
Deixam aos deuses suas apostas
Odedã grita em carga frontal
Os quatro atacam pelas costas

O poder de Apu não é lenda
A face rubra de fogo infernal
Sua forte carapaça aguenta
Dano que destroçaria um mortal

Mas o panteão vela os valentes
E a força cede ante a bravura
Sob golpes cruéis e potentes
Apu sente a derrota em agrura

Por fim, em golpe poderoso
O monstro cede e tomba latente
Vomita seu ícor leitoso
E o mundo está em paz novamente

Os heróis retornam em glória
O povo nas ruas comemora
Mas o vidente conhece a história
Sabe que o mal nunca vai embora

“Apu voltará a se erguer
Pois inquieto é o animal
Até o Buraco Negro aparecer
E encontrar seu destino, afinal!”

Não há fábula com só um significado
A palavra é tão enganosa quanto o ar
Como em um cubo mágico desordenado
Só na ordem certa suas facetas irá revelar

Abstrato

Enquanto se ouviam sussurros por todo o salão, o artista gargalhava por dentro e comprovava: o absurdo deve ser mesmo genial.

sábado, 15 de agosto de 2009

Mondrian Monday

O mundo era todo cores. Fluido, geométrico. Tinha nos olhos um brilho colorido de lilases e, de baixo da língua, escorria-lhe o sabor abstrato que dilatava-lhe as pupilas. No teto do quarto a lâmpada era um sol eclipsado enquanto ele, costas nas cobertas coloridas, era a estrela ao redor da qual rodava o mundo. Do calendário na parede saltaram cores que se espalharam pelo quarto, dançando, trocando de lugar num balé rubikiano. Era todo Kandinski, com as pupilas dilatadas olhando o calendário colorido. Viu os dias riscados, os números vermelhos de um hoje vivo.

Então a pupila contraiu-se, as curvas sinuosas endireitaram-se, as diagonais se ajeitaram paralelas. As cores se desmisturaram e agruparam-se comportadas em suas baias. O gosto se esvaía. Sob a língua, sobre as cobertas. A boca seca. Foi ficando Mondrian, Mondrian... até que todas as cores e todas as linhas se organizaram. Cubículos coloridos de uma só cor. O calendário já não parecia tão atraente. De tão Mondrian, foi-se despedaçando o azul, desbotou-se o vermelho, apagou-se o amarelo. E restaram-lhe os cubículos preto-e-brancos. As cores tinham-se ido todas. As curvas, as diagonais. Era novamente retas, apenas. Retas e cubículos. No calendário, os dias coloridos ficaram para trás. Amanhã o dia era negro.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Novo Tema

O tema da rodada será:

Seguindo a ideia do Félix com a foto do Caçador de Focas, vamos levar isso ainda mais para um ponto intangível.
Os textos devem ser postados até dia 16/08 e o marcador será "Foto: Pintura Abstrata"

Depois que terminarem de me xingar, podem começar a escrever.

Update: A pedidos: a autoria da obra de Kandinski.