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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Desesperança
Quando acordei, me descobri imerso numa escuridão que não me permitia ver nem meu próprio corpo. Logo me lembrei do rapaz dirigindo um carro e mergulhando num infinito mar de leite. Lembrei das palavras exatas do texto e senti um aperto na alma, imaginando quanto tempo isso iria durar. Mas a razão me voltou ao notar uma cegueira negra, muito diferente das descrições do mar de leite.
Há dias eu estava perdido nas dunas. Meu balão perdeu atitude e me choquei contra a areia quente, neste inferno de suor e ar seco. Nem uma gota de água, nem uma gota de água, repito para mim mesmo em meus sonhos. Durante o dia, o sol castiga minha pele que ferve em bolhas em contato com a areia ardente. Durante a noite, o frio é insuportável e sinto todos os músculos do corpo tremendo, tensos e desesperançados.
Caminho, o corpo desidratado rente ao solo. Minha pele se arrasta na areia quente, deixando para trás quaisquer tipos de pertences. O bater de asas que já acompanha meus ouvidos há horas incontáveis se mostra cada vez mais próximo. Levo as mãos ao rosto, apenas para sentir a pele queimada das membranas que cobrem as pupilas, já secas e sem vida. A dor é minha única companheira, agora que a esperança já não mais me acompanha. Deito a cabeça nos grãos de fogo enquanto aguardo, inerte, o bater de asas se aproximar.
Há dias eu estava perdido nas dunas. Meu balão perdeu atitude e me choquei contra a areia quente, neste inferno de suor e ar seco. Nem uma gota de água, nem uma gota de água, repito para mim mesmo em meus sonhos. Durante o dia, o sol castiga minha pele que ferve em bolhas em contato com a areia ardente. Durante a noite, o frio é insuportável e sinto todos os músculos do corpo tremendo, tensos e desesperançados.
Caminho, o corpo desidratado rente ao solo. Minha pele se arrasta na areia quente, deixando para trás quaisquer tipos de pertences. O bater de asas que já acompanha meus ouvidos há horas incontáveis se mostra cada vez mais próximo. Levo as mãos ao rosto, apenas para sentir a pele queimada das membranas que cobrem as pupilas, já secas e sem vida. A dor é minha única companheira, agora que a esperança já não mais me acompanha. Deito a cabeça nos grãos de fogo enquanto aguardo, inerte, o bater de asas se aproximar.
Morenice salgada
O chapéu, meio de lado, assim, escondia o rosto tímido, que escondia a malandragem. Estendeu a mão e puxou a morena. O samba que tocava nem sei qual era, e não importa também. Tic-tic-tun e quando a música parecia acabar, mais tic-tic-tun. A banda viu por cima do ombro suado da morena a trança de palha e tocou baixinho, miúdo. A mão aberta, bem no meio das costas dela, fazia com que ele parecesse comandar cada um dos seus movimentos. Ela era uma boneca. Uma boneca de pele morena, de pele suada.
Numa mesa de butiquim a batucar, ele compôs morena dourada, gosto de mar. Sonhou o sal que desprendia da pele dela, molhada de suor. Molhada de morenice salgada.
De repente ela chegou. Arrastou a saia pela mesa, esticou a mão. O cabelo molhado, a pele seca. Foi só chegar perto do pescoço e sentir o doce do perfume. Não era a morena do mar, era a morena do cheiro doce. Cruzou as pernas num passo salgado.
Numa mesa de butiquim a batucar, ele compôs morena dourada, gosto de mar. Sonhou o sal que desprendia da pele dela, molhada de suor. Molhada de morenice salgada.
De repente ela chegou. Arrastou a saia pela mesa, esticou a mão. O cabelo molhado, a pele seca. Foi só chegar perto do pescoço e sentir o doce do perfume. Não era a morena do mar, era a morena do cheiro doce. Cruzou as pernas num passo salgado.
Exército de Esqueletos
Quando suas bocas estiverem secas
Suas salivas pegajosas, suas gargantas ardentes
E a sede embotar, cruel, o raciocínio em suas mentes
Lembrem-se dos banhos tomados! Lembrem-se das carnes assadas!
Lembrem-se dos pisos lavados! Lembrem-se das gotas pingadas!
Lembrem-se dos carros cintilantes! Lembrem-se das piscinas ao sol!
Lembrem-se dos canos empestantes! Lembrem-se dos venenos ao céu!
Vocês não terão nem lágrimas para chorar
Quando seus corpos forem apenas cascos secos
E eu me juntarei, rindo, ao exército de esqueletos
Suas salivas pegajosas, suas gargantas ardentes
E a sede embotar, cruel, o raciocínio em suas mentes
Lembrem-se dos banhos tomados! Lembrem-se das carnes assadas!
Lembrem-se dos pisos lavados! Lembrem-se das gotas pingadas!
Lembrem-se dos carros cintilantes! Lembrem-se das piscinas ao sol!
Lembrem-se dos canos empestantes! Lembrem-se dos venenos ao céu!
Vocês não terão nem lágrimas para chorar
Quando seus corpos forem apenas cascos secos
E eu me juntarei, rindo, ao exército de esqueletos
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
À mainha morta
eu rio
do rio
pruquê
o rio tá na vala, mainha
padinho diz
que quâno rio inchê
vai dá di vê meu riflexo
mas já dá, padinho
que o rio é marrom e rachado
qui nem minha cara di sertão
até meus óio verve mais água qu'esse rio
eu cuspo
pelo buraco onde tinha um dente
pra vê se o rio enche di novo
ai di mim, mainha
o poço secô
tu já morreu
painho sumiu
padin diz que foi pro rio
mas eu tô no rio
e
o rio secô
o rio rachô
e painho não tá
no rio, mainha
'que o rio tá seco
e velho
que nem eu
vazio
do rio
pruquê
o rio tá na vala, mainha
padinho diz
que quâno rio inchê
vai dá di vê meu riflexo
mas já dá, padinho
que o rio é marrom e rachado
qui nem minha cara di sertão
até meus óio verve mais água qu'esse rio
eu cuspo
pelo buraco onde tinha um dente
pra vê se o rio enche di novo
ai di mim, mainha
o poço secô
tu já morreu
painho sumiu
padin diz que foi pro rio
mas eu tô no rio
e
o rio secô
o rio rachô
e painho não tá
no rio, mainha
'que o rio tá seco
e velho
que nem eu
vazio
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Novo Tema
Pra contrastar com essa chuva, o tema da rodada será: Seca.
Os textos devem ser postados até dia 6/10.
E começa outubro.
Os textos devem ser postados até dia 6/10.
E começa outubro.
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