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quarta-feira, 27 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
O Rei do Rock
A música era famosa no timbre de Sinatra, mas a voz inconfundível de Elvis se difundia pelo recinto. Ela, que sempre gostara daquela canção, ficava nítidamente abalada com a sonoridade da mais marcante das frases. “I did it myyyyy wayyyy”. “Antes de Elvis não havia nada”, disse certa vez um famoso compositor. Rei do rock pra cá. Rei do rock pra lá. Ela não suportava a dor de ouvir tamanha sandice por todos os cantos. Sequer lembravam do nome de uma única música daquele homem para o qual ela dedicou todos os anos de sua vida.
O bar estava praticamente cheio, mas ainda havia espaço para algumas pessoas em mesas distantes do palco. Não teve escolha, sentou-se em uma delas e pediu uma dose de gim. Não precisou nem esperar que a música acabasse para ouvir de todos os cantos. Rei do Rock. Elvis. Rock. Elvis. Rock. Todos só tinham ouvidos para ele. Nem mesmo o fato de ele estar cantando uma música de Frank Sinatra era suficiente para que toda aquela plateia deixasse de se deliciar com a voz e o estilo do topetudo Elvis.
Ela ouvia tudo, quieta. Não esboçava sequer um traço de desgosto no olhar, enquanto o garçom trazia sua bebida. A música ambiente foi diminuindo de volume até que um garoto moreno subiu no palco. Com os cabelos lambidos e roupa toda branca, anunciou a banda que se apresentaria com ele nos vocais.
- Hoje, vamos fazer um tributo ao Rei do Rock... Elvis Presley!!!!!! Vamos tocar algumas músicas de outros artistas, mas a noite é do Rei!
O público aplaudia efusivamente. Ela cerrava os olhos e pensava: Impossível! A banda começava as primeiras notas de Love me tender e o gim no pequeno copo sobre a mesa 57 já tinha sido completamente sorvido pela mulher que o pedira, minutos atrás.
- Amigo! Por favor, traga mais uma dose. E por que não pede para que toque algo de bom nessa geringonça?
O jovem garçom olhou assustado, mas atendeu prontamente o pedido da bebida. Imaginou que a mulher não gostasse de rock e não sabia o que oferecer a ela. O cardápio musical da noite era só rock.
- Aqui está seu gim, senhora. Hoje a noite é somente com rock. Peço mil desculpas se a senhora não aprecia, mas não podemos pedir para a banda tocar outro estilo musical hoje. Lamento muito.
Em algum momento pedi para mudar o estilo? Só quero que toquem música boa!
O rapaz não entendia mais nada. Como pode alguém querer bom rock e pedir para pararem de tocar Elvis? Aquele pedido era como uma heresia e ele esperava que não fosse repetido. Por sorte, não foi. Mas a vontade da cliente não havia sido atendida e, em poucos minutos, ela estava subindo no palco. Ao som de A little less convesation a banda tentou contê-la, mas não adiantou muito. Ela pegou o microfone e ordenou que parassem.
- Parem com essa porcaria!
Os olhos de todos a fitavam incrédulos.
- Vocês dizem que vão fazer um tributo ao Rei do Rock e tocam isso?
Alguns fãs de Elvis abriram um sorriso, imaginando que ela pediria músicas mais desconhecidas do ídolo.
- Desde quando Elvis é o Rei do Rock? Cadê meu Ch...
Nesse momento, as vaias já começavam a ser ouvidas fora do bar. Antes que ela terminasse sua fala, os seguranças do local a retiraram à força do palco, levando-a para sua mesa. A banda continuou seu Be-bop-a-Lulla e a paz voltou a reinar.
O bar estava praticamente cheio, mas ainda havia espaço para algumas pessoas em mesas distantes do palco. Não teve escolha, sentou-se em uma delas e pediu uma dose de gim. Não precisou nem esperar que a música acabasse para ouvir de todos os cantos. Rei do Rock. Elvis. Rock. Elvis. Rock. Todos só tinham ouvidos para ele. Nem mesmo o fato de ele estar cantando uma música de Frank Sinatra era suficiente para que toda aquela plateia deixasse de se deliciar com a voz e o estilo do topetudo Elvis.
Ela ouvia tudo, quieta. Não esboçava sequer um traço de desgosto no olhar, enquanto o garçom trazia sua bebida. A música ambiente foi diminuindo de volume até que um garoto moreno subiu no palco. Com os cabelos lambidos e roupa toda branca, anunciou a banda que se apresentaria com ele nos vocais.
- Hoje, vamos fazer um tributo ao Rei do Rock... Elvis Presley!!!!!! Vamos tocar algumas músicas de outros artistas, mas a noite é do Rei!
O público aplaudia efusivamente. Ela cerrava os olhos e pensava: Impossível! A banda começava as primeiras notas de Love me tender e o gim no pequeno copo sobre a mesa 57 já tinha sido completamente sorvido pela mulher que o pedira, minutos atrás.
- Amigo! Por favor, traga mais uma dose. E por que não pede para que toque algo de bom nessa geringonça?
O jovem garçom olhou assustado, mas atendeu prontamente o pedido da bebida. Imaginou que a mulher não gostasse de rock e não sabia o que oferecer a ela. O cardápio musical da noite era só rock.
- Aqui está seu gim, senhora. Hoje a noite é somente com rock. Peço mil desculpas se a senhora não aprecia, mas não podemos pedir para a banda tocar outro estilo musical hoje. Lamento muito.
Em algum momento pedi para mudar o estilo? Só quero que toquem música boa!
O rapaz não entendia mais nada. Como pode alguém querer bom rock e pedir para pararem de tocar Elvis? Aquele pedido era como uma heresia e ele esperava que não fosse repetido. Por sorte, não foi. Mas a vontade da cliente não havia sido atendida e, em poucos minutos, ela estava subindo no palco. Ao som de A little less convesation a banda tentou contê-la, mas não adiantou muito. Ela pegou o microfone e ordenou que parassem.
- Parem com essa porcaria!
Os olhos de todos a fitavam incrédulos.
- Vocês dizem que vão fazer um tributo ao Rei do Rock e tocam isso?
Alguns fãs de Elvis abriram um sorriso, imaginando que ela pediria músicas mais desconhecidas do ídolo.
- Desde quando Elvis é o Rei do Rock? Cadê meu Ch...
Nesse momento, as vaias já começavam a ser ouvidas fora do bar. Antes que ela terminasse sua fala, os seguranças do local a retiraram à força do palco, levando-a para sua mesa. A banda continuou seu Be-bop-a-Lulla e a paz voltou a reinar.
Verdadeiro amor
Ela amou incondicionalmente durante toda sua vida. Amou e se entregou, sem precisar pensar, apenas sentir. E sentia aquele amor preenchê-la em todos os momentos de seus dias. Não pedia nada em troca, não racionalizava e mensurava, pois o verdadeiro amor nada disso pede. Apenas amava, e sabia que também era amada. Não esperava por provas ou declarações. Ela sabia, e isso era o bastante.
Ela não saberia dizer quando havia começado. Era mais fácil admitir que não houvera um momento em especial. Desde o início ele estava lá. Mas, durante os tempos de tenra infância e deleite inconsciente, era mais uma companhia divertida, um companheiro ocasional como outro qualquer. Porém, o tempo passou, e ela não se deixou embarcar na inconsequente irresponsabilidade da adolescência. Quando todos começavam a olhar para os lados e enxergar algo mais nos antigos parceiros de brincadeiras, ele já estava sedimentado em seu coração. Ela seria apenas sua, de corpo e de alma, para toda a eternidade.
Bons momentos, maus momentos. Treva e luz, apogeu e decadência. Mas nunca frio. Nunca solidão. Em todos os momentos, calor, alento e apoio. Se ela estivesse sozinha, não sabia se suportaria as agruras que a vida lhe apresentava. Mas, amando, não tinha como perder a determinação. De nada importavam as privações. Não precisava pesar prós e contras, racionalizar o sentimento, porque o amor não era um meio: era o seu próprio fim. Se havia um mundo além daquele, ela o ignorava, e jamais se questionaria. Não precisava e não queria atravessar o cálido domo de suave proteção.
E assim foi sua vida. Com um sorriso de amor, do abrir ao fechar das cortinas. No crepúsculo de uma existência permeada pela emoção, a certeza de que aquele amor não se exauria com o tempo. Ficava apenas mais forte, e cada vez mais forte, conforme aumentava a necessidade por abrigo e ternura. Ter a certeza de que caminhava os últimos passos em sua presença, que ele estaria ao seu lado no leito e acompanharia seus derradeiros suspiros, era o que bastava para atingir o zênite em paz.
Não se pode dizer o que aconteceria se ela conhecesse a verdade. Talvez tenha tido um lampejo da traição em algum derradeiro segundo, quando soltava os últimos dedos dos penhascos da consciência, escorregando para o oceano de eterno oblívio. Rápido demais para ser interpretado ou permitir qualquer reação. No momento em que ela teria a chance de perceber que ele não estaria esperando-a do outro lado, sua mente não mais existia, e era tarde demais para se arrepender.
Ela não saberia dizer quando havia começado. Era mais fácil admitir que não houvera um momento em especial. Desde o início ele estava lá. Mas, durante os tempos de tenra infância e deleite inconsciente, era mais uma companhia divertida, um companheiro ocasional como outro qualquer. Porém, o tempo passou, e ela não se deixou embarcar na inconsequente irresponsabilidade da adolescência. Quando todos começavam a olhar para os lados e enxergar algo mais nos antigos parceiros de brincadeiras, ele já estava sedimentado em seu coração. Ela seria apenas sua, de corpo e de alma, para toda a eternidade.
Bons momentos, maus momentos. Treva e luz, apogeu e decadência. Mas nunca frio. Nunca solidão. Em todos os momentos, calor, alento e apoio. Se ela estivesse sozinha, não sabia se suportaria as agruras que a vida lhe apresentava. Mas, amando, não tinha como perder a determinação. De nada importavam as privações. Não precisava pesar prós e contras, racionalizar o sentimento, porque o amor não era um meio: era o seu próprio fim. Se havia um mundo além daquele, ela o ignorava, e jamais se questionaria. Não precisava e não queria atravessar o cálido domo de suave proteção.
E assim foi sua vida. Com um sorriso de amor, do abrir ao fechar das cortinas. No crepúsculo de uma existência permeada pela emoção, a certeza de que aquele amor não se exauria com o tempo. Ficava apenas mais forte, e cada vez mais forte, conforme aumentava a necessidade por abrigo e ternura. Ter a certeza de que caminhava os últimos passos em sua presença, que ele estaria ao seu lado no leito e acompanharia seus derradeiros suspiros, era o que bastava para atingir o zênite em paz.
Não se pode dizer o que aconteceria se ela conhecesse a verdade. Talvez tenha tido um lampejo da traição em algum derradeiro segundo, quando soltava os últimos dedos dos penhascos da consciência, escorregando para o oceano de eterno oblívio. Rápido demais para ser interpretado ou permitir qualquer reação. No momento em que ela teria a chance de perceber que ele não estaria esperando-a do outro lado, sua mente não mais existia, e era tarde demais para se arrepender.
Ame, sofra, viva.
Tem gente que diz que só os relacionamentos doces valem a pena. Outros, que só se consegue sentir o amargo. Eu prefiro dizer que todos os relacionamentos valem a pena. Por mais doces ou amargos que eles sejam.
Não importam sofrimentos, de nada vale temer o futuro. O flutuar é agora. O desmontar com um sorriso, também. Temer o futuro pra quê? Se por mais que você se segure, você sabe que uma hora vai cair? Você pode cair logo nos primeiros dias, braços abertos e vento no rosto, ou pode se segurar, espernear e dizer que não quer se apaixonar. Mas uma hora você vai escorregar e cair do mesmo jeito. A única decisão é como você pretende apreciar a queda.
A queda sempre é queda. É você quem escolhe aproveitar os segundos de queda-livre ou tentar prever a dor. Amar sem medo ou sofrer por antecipação. Se for para sofrer, sofra. Você vai sofrer de qualquer jeito, esteja certo disso. Todo relacionamento traz sofrimentos consigo. Seja pelo medo de se entregar, seja por se entregar demais. Quem não sofre, não ama.
Quando o momento de sofrer chegar, você vai sorrir. Amarelo, tímido, infeliz. Mas se você realmente tiver vivido o momento de tirar os pés do chão, você vai sorrir.
Você pode passar anos sofrendo para no final ficar feliz. Ou você pode ficar feliz por anos, e no final sofrer. Tanto faz. É certo que você vai sofrer. E também é certo que você vai ser feliz. A felicidade precisa do sofrimento para existir, ou então você não saberia que ela é felicidade. Então aproveite e sofra. Afinal, você vai ser muito feliz.
Aproveite cada beijo como se fosse o último, sinta cada abraço como se fosse só o começo e sorria por um sorriso. Sinta o agridoce da vida oscilando na sua boca e no seu peito. Se você fizer isso, não importa o quanto foi amado, ou por quanto tempo. O que importa é que você se entregou, se apaixonou, flutuou. O que importa é que você se entregou. E não há sensação no mundo melhor do que a de se entregar a uma paixão.
Você sempre pode escolher entre fugir e se entregar. Não seja covarde. Se entregue a cada nova possibilidade. Fique cego, surdo. Voe, esqueça o chão. Perca o juízo, a fome, o sono. Perca a consciência. Se perca. Se perca pra se encontrar.
Se encontre.
(escrito em parceria com Marina Melz em março de 2009)
Não importam sofrimentos, de nada vale temer o futuro. O flutuar é agora. O desmontar com um sorriso, também. Temer o futuro pra quê? Se por mais que você se segure, você sabe que uma hora vai cair? Você pode cair logo nos primeiros dias, braços abertos e vento no rosto, ou pode se segurar, espernear e dizer que não quer se apaixonar. Mas uma hora você vai escorregar e cair do mesmo jeito. A única decisão é como você pretende apreciar a queda.
A queda sempre é queda. É você quem escolhe aproveitar os segundos de queda-livre ou tentar prever a dor. Amar sem medo ou sofrer por antecipação. Se for para sofrer, sofra. Você vai sofrer de qualquer jeito, esteja certo disso. Todo relacionamento traz sofrimentos consigo. Seja pelo medo de se entregar, seja por se entregar demais. Quem não sofre, não ama.
Quando o momento de sofrer chegar, você vai sorrir. Amarelo, tímido, infeliz. Mas se você realmente tiver vivido o momento de tirar os pés do chão, você vai sorrir.
Você pode passar anos sofrendo para no final ficar feliz. Ou você pode ficar feliz por anos, e no final sofrer. Tanto faz. É certo que você vai sofrer. E também é certo que você vai ser feliz. A felicidade precisa do sofrimento para existir, ou então você não saberia que ela é felicidade. Então aproveite e sofra. Afinal, você vai ser muito feliz.
Aproveite cada beijo como se fosse o último, sinta cada abraço como se fosse só o começo e sorria por um sorriso. Sinta o agridoce da vida oscilando na sua boca e no seu peito. Se você fizer isso, não importa o quanto foi amado, ou por quanto tempo. O que importa é que você se entregou, se apaixonou, flutuou. O que importa é que você se entregou. E não há sensação no mundo melhor do que a de se entregar a uma paixão.
Você sempre pode escolher entre fugir e se entregar. Não seja covarde. Se entregue a cada nova possibilidade. Fique cego, surdo. Voe, esqueça o chão. Perca o juízo, a fome, o sono. Perca a consciência. Se perca. Se perca pra se encontrar.
Se encontre.
(escrito em parceria com Marina Melz em março de 2009)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Certezas
Você acredita em amor?
Como é que é?
Acredita ou não acredita?
Por que a pergunta?
Não quer responder, é?
Tem certeza que quer ter essa conversa agora?
Por que não?
Não tá se divertindo?
O que uma coisa tem a ver com a outra?
A gente não pode simplesmente deixar as coisas seguirem o seu rumo?
E que rumo que elas estão seguindo?
Você não tá feliz?
Sabe o que falam da gente?
Desde quando você se importa com o que falam da gente?
Você não acha que a gente tá pronto pra um passo a mais?
Como assim?
Você não tem idéia mesmo?
Você quer dizer... casar?
Por que a surpresa? Você não pensa no futuro?
A gente não pode mesmo pensar no presente?
Isso te assusta muito, né?
E não é pra assustar?
Você me ama?
Desde quando uma coisa impede a outra?
Isso que dizer que sim ou que não?
E se for?
Qual dos dois?
Faz diferença?
Quando chegar a hora, você vai estar pronto pra escolher?
Entre os dois?
Quando tiver que escolher, o que vai ser? Vai encarar esse seu medo besta ou vai jogar fora tudo que a gente construiu?
O que a gente construiu?
Você nunca tem certeza de nada?
Você nunca fica na dúvida?
Quer saber do que eu duvido realmente?
Do que?
De que eu ainda ame você.
Como é que é?
Acredita ou não acredita?
Por que a pergunta?
Não quer responder, é?
Tem certeza que quer ter essa conversa agora?
Por que não?
Não tá se divertindo?
O que uma coisa tem a ver com a outra?
A gente não pode simplesmente deixar as coisas seguirem o seu rumo?
E que rumo que elas estão seguindo?
Você não tá feliz?
Sabe o que falam da gente?
Desde quando você se importa com o que falam da gente?
Você não acha que a gente tá pronto pra um passo a mais?
Como assim?
Você não tem idéia mesmo?
Você quer dizer... casar?
Por que a surpresa? Você não pensa no futuro?
A gente não pode mesmo pensar no presente?
Isso te assusta muito, né?
E não é pra assustar?
Você me ama?
Desde quando uma coisa impede a outra?
Isso que dizer que sim ou que não?
E se for?
Qual dos dois?
Faz diferença?
Quando chegar a hora, você vai estar pronto pra escolher?
Entre os dois?
Quando tiver que escolher, o que vai ser? Vai encarar esse seu medo besta ou vai jogar fora tudo que a gente construiu?
O que a gente construiu?
Você nunca tem certeza de nada?
Você nunca fica na dúvida?
Quer saber do que eu duvido realmente?
Do que?
De que eu ainda ame você.
Clichê
Câmera em movimento. Das frestas de madeira da janela, alguns poucos raios de sol conseguem passar. Sem música com piano. Só se houve uma respiração tranqüila. A câmera passeia pelas roupas no chão. Chega à cama. Close nos quatro pés que estão juntos. No centro do colchão, pose clássica: ela deitada no peito dele, com a camisa amassada. Os primeiros botões estão abertos. Ela acorda e, com os olhos pequenos e inchados, olha pra ele com ternura. Acomoda-se e volta a dormir. Fecha.
Tela escura.
- Parece que estou dentro de um livro teu.
- Inevitavelmente você será personagem.
- Todas são?
- Quase.
- Como quase?
- Escolho.
- São muitas?
- Algumas.
- Escolhes como?
- As que são poesia.
- Sou poesia?
- Prosa.
- Como?
- Não sei, não se explica. Só é.
- Então não entro para o rol das heroínas. Não serei título.
- Não. Essas foram as paixões.
- Não foram amor?
- Não existe amor.
- Como não existe amor?
- Assim. Não existe.
- E os livros? E as palavras?
- São paixão.
- E amor?
- O amor é mentira mais sincera, de todas as mentiras que eu digo.
Fecha. No escuro. Não aparece fim. Créditos.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Tema da rodada
Salve, amiguinhos e amiguinhas. Vamos a mais um temível tema feliciano.
Um desafio meta-literário baseado na forma? Nah...
Uma proposta ambientada em algum espaço oou tempo bizarro? Humm...
Uma palavra estranha, obscura, sinistra, desconhecida? Talvez...
"Tripas"? "Escatologia"? "Desmembramento"?...
Ok, o tema da rodada é:
Amor.
Divirtam-se e postam até dia 26.
Um desafio meta-literário baseado na forma? Nah...
Uma proposta ambientada em algum espaço oou tempo bizarro? Humm...
Uma palavra estranha, obscura, sinistra, desconhecida? Talvez...
"Tripas"? "Escatologia"? "Desmembramento"?...
Ok, o tema da rodada é:
Amor.
Divirtam-se e postam até dia 26.
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