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sábado, 26 de janeiro de 2008

Texto longo. Prazo curto. Estepe à vista. Ú, supercápsula.

Félix B. Rosumek
26/01/08

A montanha é um grande monte de rochas. Por isso o nome começa com "mont". Não, não deveria ser um monte de banha. É de rochas, pedras, sim. Como muitas coisas, a montanha tem vários buracos. Não, não como os seus. Os buracos da montanha se chamam cavernas. São buracos escuros e úmidos que se estendem muito fundo dentro da montanha. Não, não como aquele buraco. São frios, não quentes. Dentro do buraco, existem coisas. Não, não como aquelas dentro daquele buraco. As coisas de dentro da caverna se chamam estalactites, e estalagmites. Não, nada que estala. São formações rochosas. Não, elas não choram. São pedras, entendeu? Pedras coladas no teto e no chão. Dessas formações corre água. Não, não como aquela água, pedras não choram, já falei. São só gotinhas, sabe? A estalactite é aquela que fica em cima. Ela pinga água na de baixo, a estalagmite. Não, não é sacanagem. Não é essa água também, pedras não fazem isso. Junto com a água, vai um pouco de minerais, e são esses que formam as duas. Não, não é água mineral que pinga delas. Mas é água com minerais, entendeu? Não, sem gás. A água escorre pela estalactite e cai na estalagmite, e assim vai formando a segunda. Não, demora. Sim, mais de uma hora. Sim, mais de duas. Sim, mais de um dia. Sim, mais de uma semana, uma década, um século e o caralho a quatro. A de cima vai crescendo e pingando pela ponta na outra. Não, não como o caralho. Não, a outra não fica de quatro. São pontas, entendeu, duas pontas de pedra, nada mais. Não, elas não são gays. Sim, duas pontas, mas não são. A de baixo também cresce, porque vai acumulando os pingos e minerais da outra. Não, ela não toma a água. Nem os minerais. Nem vitamina. Não, não toma nada para crescer. Já é quase meia noite, estou cansado. Você pode tomar. Não, não a água. Nem os minerais. No buraco, por favor. Não, não no da montanha. No seu. Sim, o quente. Obrigado.

Quem nunca pensou nisso, que atire a primeira pedra

Marina Melz
26 de Janeiro de 2008

- Bom dia, pessoal. Vamos a nossa primeira aula de biologia deste bimestre.
- Ai, gurias, o professor tem cara de nerd, daqueles que vai encher a nossa vida de símbolos estranhos e de palavras que eu nunca vou lembrar.
- Nem me fala... Acho que eu realmente nunca vou entender nada de biologia.
- Nossa primeira aula será sobre as cavernas. Aqui, no primeiro slide, vocês podem ver a entrada de uma delas. As cavernas são formações...
- Alguém aí tem um lixa de unha?
- Ai, esqueci a minha em casa hoje.
- Dentre as formações dominantes nas cavernas são as estalactites.
- Pô, professor, como é que a gente vai lembrar de um nome esquisito desses?
- Só se eu chamar meu filho de escalactite, né? “Bom dia, Escalatitezinha da mãe”...
- Bom, meninas, não sei como vocês vão lembrar, mas a minha mãe adotou esse critério.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Estalactite

Thiago Floriano
23/jan/2008

- Juvêncio Linger da Silva. Por favor, me acompanhe. O doutor Damatta já vai lhe atender.
O pequeno homem caminha apreensivo até o consultório do velho amigo, o Dr. Damatta. Se não tivesse concentrado em sua própria enfermidade, certamente estaria a apreciar o visual daquela jovem secretária que caminhava à sua frente.
- Boa tarde, seu Juvêncio. O que o traz aqui desta vez? – Perguntou o médico em tom familiar.
Seu Juvêncio não sabia como descrever o que sentia. Sentou-se frente à mesa do médico e resolveu falar.
- Há alguns dias estou sentindo uma dor aguda perto da clavícula. É como se houvesse uma faca que me corta mais a cada minuto.
Dr. Damatta ouve atentamente e se põe a examinar o paciente.
- Não há dúvida. O senhor está com estalactite.
O homenzinho suou frio. Estalactite não parecia uma inflamação simples como otite, sinusite ou amigdalite. Era algo mais imponente, mais grave, sem dúvida.Talvez algo semelhante à meningite ou hepatite, quem sabe. A demora do doutor em esclarecer o que falara já o amedrontava. Será que esta inflamação do tal de “Estalacto” era reversível? Será que deixaria seqüelas?
- É apenas um pequeno pedaço, mas vou precisar retirar isso imediatamente – comenta o médico já segurando uma pinça esterilizada. – Fique calmo, respire fundo e diga 33.
- Trinta e AI!
- Pronto. Saiu. E na próxima vez que for a Botuverá, convide os amigos!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O esconderijo do Gato

Fábio Ricardo
22 de janeiro de 2008

A lenda conta que tudo aconteceu numa noite gelada de junho de 1954. Um ladrão de bancos, foragido dos Estados Unidos, chegou a Florianópolis com uma pequena bolsa contendo mais de 20 pequenos diamantes, frutos de um assalto a uma joalheria da Riviera Francesa. Avisada pelos órgãos internacionais, a polícia catarinense se colocou na pista do sujeito. Depois de poucos dias, descobriram que o ladrão, conhecido em seu país como O Gato, escondera-se em Blumenau.

A procura foi rápida, e se conta que em pouco tempo uma perseguição cinematográfica se deu pelas ruas da cidade. A lenda diz que o bandido roubou um carro no centro da cidade e fugiu em direção ao bairro Garcia. Seguindo a pista d’O Gato, a polícia conseguiu cercá-lo na entrada das Minas da Prata. O homem se escondeu sem qualquer lanterna nas galerias subterrâneas, e a busca durou toda a noite. Armado com um revólver, O Gato subjugou cada um dos policiais, deixando os corpos já sem vida escondidos em buracos das cavernas, que viraram suas tumbas.

Conta a história de que quando estava quase conseguindo sair, um policial consegui vê-lo. Dois tiros se ouviram. O d’O Gato atingiu em cheio o peito do policial. Isso fez com que o policial errasse o tiro, disparando contra o teto da caverna. A bala atingiu uma estalactite, que se rompeu, caindo diretamente sobre o ladrão de jóias.

O Gato ficou pregado ao chão, com a estalactite atravessada por seu estômago por horas a fio, enquanto os reforços policiais chegavam ao local. Ao revistar o ladrão, a polícia não encontrou qualquer pista dos diamantes. Diz-se que as últimas palavras d’O Gato antes de morrer foram ao ouvido de um dos policiais: “Vocês nunca os encontrarão”.

Até hoje, jovens se aventuram pelas cavernas escuras das Minas da Prata em busca dos diamantes perdidos, sem conseguir encontrar o esconderijo d’O Gato. Até hoje, também, é possível se ouvir, na calada da noite, os urros de dor que romperam o silêncio das galerias subterrâneas naquela gelada noite de junho de 1954.