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terça-feira, 17 de março de 2009

Dzz

- Dzzz!Dzz!Sempre gostei de estragar a sopa dos humanos. Até que me afoguei presa a um fio de macarrão. DZZzz...

Instantâneo

Macarrão instantâneo de novo. É sempre a mesma coisa. Sábado, quatro horas da tarde, levantar ainda meio bêbado, tomar uma ducha e preparar um pacote de macarrão instantâneo. Acho que já provei todos os sabores desse negócio. E todos os sabores são basicamente iguais.

Acho que faz parte do ritual do homem solteiro. Não existe solteiro neste mundo que não tenha uma dieta rica e balanceada à base de macarrão instantâneo. Tem esses merdas que sabem fazer pratos especiais, mas pra mim é tudo meio aboiolado. Na boa, eu já fico bem feliz quando consigo achar algo no fundo da geladeira pra misturar na gororoba. Num dia é um ovo frito. Outro, uma lata de sardinha. Às vezes, milho e ervilha.

Hoje eu misturei com alguns restos da geladeira. Um pouco do cachorro quente da noite passada, queijo e presunto picado, duas fatias de tomate e muito catchup. Catchup é, também, uma necessidade gastronômica de qualquer solteiro que se preze. Não agüenta mais comer sempre pizza de mussarela e calabresa, porque é a que está em promoção? Ele resolve. O cachorro quente prensado que sobrou na noite anterior está com um gosto meio estranho? Ele resolve. O macarrão ficou mais gosmento que efeito especial de filme trash? Ele resolve. Acabou o queijo, o peito de peru e qualquer coisa para colocar entre duas fatias de pão? Ele resolve também.

Essa coisa de morar sozinho é engraçada. Você vive querendo se mudar e morar sozinho, para levar muitas menininhas para o seu apartamento. Mas depois que elas vão no seu apartamento, enxergam a pilha de louça suja em cima da pia e sentem o cheiro azedo que vem da cozinha, nunca mais voltam.

É por isso que eu continuo gastando tanta grana com motel. Quando começa a faltar, é só economizar no macarrão.

Lámen

Ah, eu e o Miojo, o Miojo e eu... Um belo relacionamento, iniciado há longínquos anos, e atravessando diversas fases de nossas vidas. Uma história cheia de sabores, dessabores, idas e vindas, que se mantém tórrido até hoje. Afinal, eu ainda como ele várias vezes por semana. Às vezes duas no mesmo dia. Mas confesso que estou velho, já não consigo lidar com dois ao mesmo tempo como antes...

Tudo começou no início da adolescência. Lembro-me muito bem da primeira visão daqueles pacotinhos coloridos, com um pequeno paraíso prateado de sabor. Apaixonei-me imediatamente. Não tinha como resistir: ele era gostoso, barato, nem dava trabalho para ficar no ponto. Alguns minutos de preliminares e tudo era maravilhoso. Confesso, não era muito romântico, mas éramos jovens e apenas queríamos diversão.

Parceiros de todas as horas, continuamos juntos durante toda a juventude. Mas é aquela história: morando na casa dos pais, existiam alguns limites. Tudo mudou quando começou a universidade e passei a morar sozinho. Aí a coisa virou loucura: livres, podíamos usufruir de todos os prazeres possíveis Era todo o dia. Várias vezes ao dia...

Porém, como toda relação, com o tempo foi se desgastando. Vi isso acontecer de modo trágico com outras pessoas: depois de um tempo, já não suportavam o antigo companheiro, que tantas vezes lhes acompanhou em noites frias. Chegam ao ponto de, com um sorriso cruel e mal-agradecido, chamá-lo de "Quinojo". Mas essas pobres criaturas são calouros, daqueles que ainda misturam o tempero na panela. Nunca perceberam que um relacionamento em crise não significa o fim de tudo, apenas é preciso adicionar novos temperos. Desde uma carícia tão singela quanto uma colher de requeijão, até incursões ousadas com carnes quentes e suculentas.

Mas o melhor Miojo é, sem dúvida, o Sabor Larica. Não importam os conflitos anteriores, os tempos imensos sem se ver, a renegação fútil do passado. Na hora do retorno bêbado e solitário ao lar, na alta madrugada, quando nenhum dogão despontou no caminho e até passar manteiga no pão parece uma tarefa hercúlea... Todos sentem aquela vontade de ligar para o velho parceiro e curtir alguns minutos de pura satisfação. Já dizia um antigo ditado suazilandês, o melhor tempero é a cacha... a fome, é claro!

Seja na roupa em que ele aparecer, um Galinhazinha básico, um exótico Carne com Tomate ou um sofisticado Brócolis ao Molho Branco, munido de griffes famosas ou um humilde Renata Express, eu não consigo deixar de tê-lo ao meu lado. Pode não ser mais aquele fogo de tempos idos, cheio de fome e tesão, mas ao menos é um companheirismo sincero, apoiado por necessidades e fraquezas mútuas. Digamos que não se trata mais de uma paixãozinha qualquer. É um caso de amor. Eu e o Miojo, o Miojo e eu...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Penne

Sempre que brigavam, preparava penne ao limone. Para que não acontecesse novamente, resolveu caprichar no tempero. 

domingo, 15 de março de 2009

Fast-Food

Preferia pasta. Mais enrolado que fusili, optou pelo miojo.