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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Febre

Thiago Floriano
jan/2007

O calor não vem do fogo
Vem do corpo, vem do cromo

Vem do sangue que hora é fogo
Vem do corpo em febre, em chamas

Vem na hora em que me chamas
O calor que já é fogo

Nem me importa se sou louco
Ou se sou lobo
Desde que aceso o fogo

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peço desculpas pelo atraso na postagem, mas ontem à noite não consegui conectar a internet.
abraços

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Poematizar

Não é simples poematizar a vida. Ver em cada sorriso, um verso. Em cada rajada de vento, palavras que se combinam. Não é fácil conseguir buscar no fundo da alma palavras para explicar sentimentos. É ser demasiadamente humano e totalmente emoção.

Por mais belas que sejam as palavras de amor ouvidas numa canção, por mais detalhes contidos numa carta, por mais bela que seja a pintura. Poematizar um momento é torna-lo ainda mais ritmado, ainda mais rico, ainda mais visível.

Poematizar a vida é entrelaçar verbos sem que eles precisem ser escritos, é conseguir ver e rever momentos em câmera lenta e com ainda mais contraste, e com ainda mais brilho.

Poematizar é obter nos olhares das pessoas queridas os maiores holofotes do sucesso. É atingir o ápice ao atingir o alvo com subliminaridade. É sentir-se lisonjeado por ver, mesmo que em silêncio, o poema da vida.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Cansei de ser pedante

Escrito por volta de 2004

Cansei de ser pedante.
Vou ser tosco e desregrado.
Beber Bukowski e cheirar dos Anjos.
Rasgar o verbo na sarjeta literária.

Vou acordar no beco com o beijo dos cães.
Ter versos cantados pra putas de tetas caídas.
Vou vender o Kafka que me restou,
pra comprar um cigarro avulso e literatura de quinta.

O clássico ficou velho. Caduco.
Não me emociono mais com um mictório qualquer,
nem com um neólogodepalavrasgrudadas.

Com o verbo tosco que me resta,
serei pequeno e medíocre.
Vou mandar o mundo,
a arte,
à merda.

E andar fedido pelos becos até que um mendigo me deite veneno ao ouvido.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Negro Oceano

Félix B. Rosumek

11/01/04


Infinito oceano, derrama-se lânguido no horizonte

Lambe as costas arenosas onde vagam os amantes

Embalando-os aos suaves murmúrios incessantes

Intercalados pelos brados de ondas que explodem

Sob sua tutela amores nasceram e morreram

Às águas misturaram-se o sangue e as lágrimas

Fossem de alegria, fossem máculas amargas

Todas procuraram ali por suas vagas respostas

Quando? Será? Nunca? ‑ Ou por quê?

Resposta declarada em versos sussurrantes...


Hipnotiza aquele que se detém a fitá-lo

Para de antigas mágoas relembrá-lo

Imenso, assustador, sombrio, encantador

À luz da Lua e das estrelas, ele sente toda dor

Silencioso e impassível, ouve os pedidos

Blasfêmias e agradecimentos, desabafos, desatinos

Quantas foram as vezes em que serviu de consolo

A pobres almas com corações despedaçados?

Poderia alguém lembrar de todas as confissões?

Infernos e Édens, dúvidas e declarações...


(à planície de águas eles lançaram suas indagações

para no sibilar do vento imaginarem as soluções)


De dia emana alegria, na noite pura melancolia

Com espírito inumano contempla a nós, mortais

Com nossas perguntas e misérias, tolos vacilantes

Nosso futuro e objetivo, o destino em nossas mentes

Vivendo para o supra-sumo do êxtase e da dor

O maldito, corrosivo e divino fogo do amor

Buscando o prazer em loucuras apaixonadas

Encarando o Monstro que nos prende em suas garras

Alegria e sofrimento, amor e morte de mãos dadas

A beleza doentia das paixões amaldiçoadas



Tantas almas nos mares imortais do mundo

Encontraram seu destino, à tona ou no fundo

Importaria-se ele de fazer outro favor à raça

E tomar pela mão mais uma criatura em desgraça?

Com passos indecisos, avançaria à linha distante

Pois ali a inevitável paz chegaria finalmente

Cobriria o corpo e engoliria as torturas

E que o mundo o esquecesse sob as águas obscuras

O fim de mais um drama, só mais um humano

Tragado pela imensidão do silencioso oceano...

sábado, 12 de janeiro de 2008

O sorriso mais lindo do mundo

Fábio Ricardo
20/12/04

Nariz com nariz
Raspando de mansinho,
E o sorriso mais lindo do mundo em seus lábios

Cheiro gostoso
Bem de pertinho,
E o sorriso mais meigo do mundo em seus lábios

Olho no olho
Brilhando no escuro
E o sorriso mais cúmplice do mundo em seus lábios

Elogio estranho
Ri achando graça
E o sorriso mais alegre do mundo em seus lábios

Mão na nuca
Por baixo do cabelo
E o sorriso mais doce do mundo em seus lábios

Beijo na boca
Ou pode ser na testa
E o sorriso mais amável do mundo em seus lábios

Música de fundo
Feito serenata
E o sorriso mais gostoso do mundo em seus lábios

Noite virada
Sono escondido
E o sorriso mais feliz do mundo em seus lábios

Olhos fechados
Bochechas rosadas
E o sorriso mais divertido do mundo em seus lábios

Conversa sincera
Sem medo ou vergonha
E o sorriso mais verdadeiro do mundo em seus lábios

Se falando de longe
No dia seguinte
E a certeza do sorriso continuar em seus lábios