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sábado, 27 de setembro de 2008

Fim

A noite rouba vida...
Como o delírio de um suicida...

Fim, finais, becos sem saída
Uma vida sem sentido, que está perdida
Será que os velhos sonhos são o que pensamos?
Ou muitos são os devaneios que sozinhos conservamos?

(caminho na noite
só, canto na noite
pensando nas correntes
em como secou aquela fonte
fonte de amor e de esperança
vil casal, um coração e uma lança)

Nestas noites acompanhados nos sentimos tão sós...
Nossas ambições ora almejadas calcinadas até pó...

Fim, fim, noite em desgraça, em tudo estampada!
Nenhuma maldade, tormento não é nada!
Já esperado o sofrer, em um rumo tão sozinho
Sem nada a perder, em um mundo sem destino

(E FICO FELIZ QUANDO TODOS ESTÃO DORMINDO
POIS É COMO SE ESTIVESSEM TODOS MORTOS!!!)

Todos mortos, fim, final, encerramento!
O ato final, tolo teatro em andamento!
Um final ridículo para um mais idiota espetáculo!
Seja morte o destino e sepulcro nosso receptáculo!
Fim de tudo, todos perecerão!
Que a morte venha, seja pela minha própria mão!

Sem esperança, vá se foder com sua reconfortante possibilidade
Pois eu sou doente, vejo o lado mais negro, sem sentido
Ha! Nada mais que a própria realidade!

(fim, fim, fim, não espere mais, vá para o inferno!
Pois isso não é poesia, versos de tédio eterno
não, essa porra é verborréia, arroto, cuspe,
o escarro tuberculoso do meu tormento interno!!!!)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tendências suicidas

Pedro era um cara popular. Na escola, vivia rodeado de amigos e as garotas o disputavam. Entrou pra faculdade e resolveu estudar de verdade. Afinal, sua futura profissão dependeria de seu empenho e desempenho. Começou a perder espaço. Mesmo alguns amigos da época do colégio já não o consideravam mais o mesmo cara que era antes. Ele não se deixou abalar. Apaixonado pelas aulas de sociologia, mergulhou em livros e, mesmo sem deixar as demais atividades de lado, isso o fez perder popularidade como um escândalo de corrupção.

O primeiro grande momento de ruptura veio num dia em que amigos o convidaram para uma festa onde se apresentaria uma banda nova que estava estourando nas rádios de todo o país. Seria prato cheio para Pedro em outras épocas, mas ele recusou o convite porque precisava terminar de ler um livro de filosofia. “Ficou louco”, pensaram os amigos. Aos poucos ele ia se isolando, curtindo sua própria perda de popularidade com seus livros e rabiscos nos cantos das páginas.

Não deixava de utilizar as ferramentas de comunicação modernas como sites de relacionamentos ou programas para conversação por mensagens instantâneas, mas as pessoas em geral desaprovavam suas preferências artísticas. Filmes que ninguém conhecia, bandas que seus amigos nunca ouviram falar, livros de filosofia... Manifestar estas preferências era decretar, de uma vez por todas, uma espécie de suicídio social.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Príncipe dos Suicidas

O protagonista morre no final. Agora que já sabe o final, não perca tempo, o leitor, em demorar-se na leitura destas páginas.

Quanta bobagem! Se tempo é o que mais tem o leitor! Pois, decerto, se está lendo isso, é porque tempo não lhe falta. Tempo é tudo que tem. Enquanto espera, pois, deixe que esta história lhe faça companhia. E já me corrigindo, o protagonista desta história não morre no final. O protagonista desta história morre no começo. O protagonista desta história já morreu.

Quando cheguei, o sol brilhava fresco. Como o sol que surge depois de umas horas de chuva num fim de tarde de meia estação. O capim baixo emanava também um cheiro fresco, e brilhava como se borrifado por gotas de água pequenas demais para serem vistas. Uma brisa leve passava assobiando baixinho por entre as folhas altas das árvores, não muito atrás de mim. E um rio brilhante e calmo atravessava o prado que se estendia a minha frente. Encaminhei-me em direção ao rio até vislumbrar as figuras aguardando à sua margem. Um trapiche de juncos pequeno se projetava da margem às águas, que corriam com um gorgulhar confortante.

Na margem, umas poucas pessoas aguardavam de pé junto ao trapiche. Como não divisava nada além da mata atrás de mim e das pessoas na beira do rio, achei por bem aproximar-me. Um homem baixo, de cerca de um metro e meio, já meio curvado, conferia com uma prancheta um punhado de papéis. Tinha vestes simples mas muito bem cuidadas. Uma calça de jeans cáqui, uma camisa de flanela da mesma cor e um colete de cor crua, de couro ou lona. Uma boina cobria os cabelos meio desgrenhados. Atrás dele, um grupo de pessoas aguardava junto ao trapiche. E ao lado delas, de costas pra mim e admirando a outra margem, uma jovem de corpo magro, com os ombros bronzeados um tanto pontiagudos à mostra, vestia um vestido xadrez simples mas bonito, com uma barra branca bordada. Os cabelos castanhos, meio ondulados, amarrados por uma fita vermelha. A profissão campesina era denunciada por uma grande foice de campo na qual se apoiava e pelo cesto de vime à tira colo.

O homenzinho me olhou de baixo para cima quando me aproximei e umedecendo os lábios murchos com a língua, começou a folhear os papéis na prancheta, retornando o olhar para mim vez por outra.

— Bom dia... — comecei. Mas ele logo me interrompeu com um balançar negativo de cabeça.
— Não, não, não. Você não está aqui.
— Como?
— Não está, não está! — Repetia o homenzinho, como que contrariado.

E me deu as costas indo falar com a camponesa da foice. Só quando ela se abaixou para falar com o homem que percebi a sua altura. Era alta, talvez até um pouco mais alta que eu. Ela ouviu o que ele tinha a dizer, levantou-se, me pareceu que ficou uns segundos a pensar, olhando para o nada que seguia o curso do rio. Quando ela virou-se para mim, os olhos levemente puxados e pequenos, muito claros, de íris quase branca, contrastaram com o tom bronzeado do rosto. Os lábios finos não disseram nada. Mas o olhar me petrificou. Pude sentir os músculos do corpo retesando, a boca seca, o coração pulsante. Ela virou o rosto para novamente olhar o pequenino e, sem responder, balançou a cabeça em negação. O pequeno homem soltou um suspiro profundo, contrariado entregou a prancheta à camponesa, e veio até mim. Ela me lançou um último e olhar e depois se deixou perder na visão das árvores da mata, que corria atrás de mim e seguia o rio ainda nesta margem.

— Não, não, não. Você não está na lista. Desculpe-me. Não está na lista. — disse o homenzinho falando rápido.

Caminhando devagar, me tomou pelo braço e me guiou o caminho.

— Vamos, vamos. Você não pode passar. Ainda não está na lista. Vamos, vou mostrar-lhe o caminho.

— Onde estamos? — Perguntei curioso.

— Estamos no rio. — Me respondeu o meu novo guia.

— E o que tem além dele? — Insisti.

— O outro lado.

Antes de perder de vista as figuras que aguardavam, pude ver uma pequena balsa se aproximando do trapiche. Um homem sem camisa manobrava a embarcação com uma longa vara, até encostar contra a construção de juncos. As pessoas que aguardavam subiram na balsa que se afastou da margem, deixando lá apenas a camponesa com a foice. Àquela distância eu não podia divisar qualquer expressão no seu rosto, mas podia ver que ela mantinha os olhos na balsa.

O homem me guiou por um caminho de terra adentrando nas árvores. As copas altas balançavam com o vento e o cheiro agradável de mato fresco continuava. Mas o sol já não conseguia atingir o solo. Caminhamos por um bom tempo, até não ser mais possível ouvir o rio. E continuamos andando em silêncio. O homenzinho, claramente contrariado, volta e meia balançava a cabeça de um lado para o outro. O sol já não se via mais entre as árvores e um nevoeiro bem leve já se fazia presente. Caminhamos até chegar a uma casa de toras no meio da mata. O homenzinho foi até a porta e bateu duas vezes. Sem palavra, deu as costas e foi retornando pelo caminho, passando por mim. Virei-me para chamá-lo quando ouvi atrás de mim a porta se abrindo.

Um velho entroncado, metido numa jardineira parda e com uma camisa vermelha de mangas arregaçadas, me olhava apoiado no vão da porta. Tornei a olhar para o homenzinho só para vê-lo desaparecendo devagar na neblina fraca. Tornei a encarar o velho e percebi que ele mascava algo que, pelo cheiro, parecia fumo. Ele ficou me olhando por um tempo, com aquele maxilar de barba mal feita dançando pendurado, como que ruminando mais do que o fumo. Ruminando algo na cabeça. Limpou as mãos na jardineira, deu uma pigarreada e voltou-se para dentro da casa, lançando a voz rouca por sobre o ombro: “Feche a porta ao entrar”. Hesitei por uns segundos mas, dadas as circunstâncias, decidi obedecer. A casa tinha as paredes de toras e o teto alto, de madeira. Tinha várias cadeiras, almofadas e sofás espalhados, cobertos de forma rústica. Havia um fogão de pedra no centro e um duto acima dele, que se perdia no teto. Ao lado da porta pela qual entrei, uma grande enxada de cabo longo estava encostada à parede. Ao lado dela, uma pedra de amolar. Não vou me deter por demais na descrição do lugar, visto que o leitor obviamente não carece de tais detalhes. Detenhamos por tanto na conversa que tive com o meu interlocutor, da qual o leitor, talvez, não saiba.

O velho me serviu uma caneca de metal com uma infusão qualquer. Estava quente como os diabos e tive que apoiá-la na mesa enquanto me sentava. O velho sentou-se numa poltrona um pouco distante de mim.

— Não está do seu agrado? — Perguntou ao me ver depositar a caneca na mesa.
— Não é isso — respondi — está quente demais para segurar.
— Espere esfriar — ele retrucou, sorvendo o líquido fumegante da própria caneca.
— Pelo visto vai demorar um pouco. — Tentei dar um tom de brincadeira na voz, para aliviar o clima. Ao que ele respondeu só levantando os olhos para mim.
— Não tem problema. Há tempo de sobra.

Depois de uns minutos de silêncio, enquanto eu tentava tomar o chá e identificar o sentido daquele olhar, ele quebrou o silêncio novamente.

— Então ela não te deixou passar, não foi?
— Como?
— Para o outro lado. Ela não deixou que você cruzasse o rio.
— A camponesa?

Ele deu uma risada contida, mas aparentemente sincera, e rebateu.

— Sim, sim. A camponesa. A mulher da foice. Ela.
— Ela?
— Sim, ela. Você sabe. Diga. Vai fazer bem pra você.

Eu não havia reparado na corda pendurada de uma das vigas do teto. Aparentemente, nem meu anfitrião, que seguiu meu olhar com interesse.

— Ah, sim... Limpo. Você deve ser organizado. Já é um clássico, nunca sai de moda.
— ???
— Vamos, você pode se lembrar, você já sabe. O choque não é grande. Nunca é. Porque a escolha já foi tomada. Só falta a constatação.

Uma sensação estranha me inquietava naquela voz rouca. Um certo aperto no peito, como se o coração estivesse na garganta. Senti os meus pés balançarem na cadeira, dançando no ar. Uma cadeira. Sim, uma cadeira. E a corda. E uma viga e... sim.

Sim...

Quando retornei meu olhar para o velho, ele já estava quase sobre mim, bem próximo à mesa. Olhando-me de cima com olhos baços. Estranhamente não me senti chocado. Era como se eu já soubesse. Eu já sabia. Ele já sabia.

Olhou para a minha xícara que atirava redemoinhos de vapor ao ar e me disse de novo: “Há tempo de sobra”. Tornou a me olhar e falou.

— Ela não lhe deixou cruzar o rio.
— A mulher da foice. — Respondi. Ao que ele apenas repetiu, devagar, para que eu sentisse as palavras: “A mulher da foice”.

— Porque ela não me deixou cruzar?
— Há tempo de plantar e há tempo de colher. Ainda não é chegado o tempo de colher. Não para você. E a Dama da Colheita nunca ceifa antes do tempo. É preciso que o grão esteja maduro.
— Se não chegou o tempo da colheita, porque eu estou aqui?
— Às vezes o grão despenca antes do tempo e não pode ser colhido pela foice. Aí vem a mim.

Caminhando em direção à porta, ele continuou:

— Quando ele cai à terra, a foice da Dama não pode mais alcançá-lo. Mas eu posso.

Ele disse, acariciando o metal afiado da enxada com certo orgulho.

— Quem é você? — Perguntei receoso.

— Eu sou aquele que cata os grãos que se precipitaram antes do prazo. Eu sou aquele que os guarda até a hora da colheita. Eu sou aquele que acolhe os grãos do Acaso, aqueles que burlam o Desígnio, aqueles que tomam a decisão que não lhes cabe. Eu sou agora o seu tutor, o seu Senhor, seu guardião. Eu sou o Príncipe dos Suicidas.

Mesmo, no fundo, sabendo o que acontecera, o que eu havia feito, a calma que até então me tomava ameaçou me abandonar frente a emoção e orgulho daquele velho, com o braço peludo agarrado à enxada, que mesmo metido naquelas roupas comuns exalava um ar respeitoso. Logo a fraqueza se transformou em vergonha frente àquela palavra. “Suicida”. Não pude evitar baixar os olhos. O passado e o que eu havia deixado para trás já estava por demais nebuloso para que eu tivesse qualquer lembrança clara, mas aquela palavra me soava, de algum modo, obscena.

— Agora você baixa os olhos? — Ele perguntou para logo continuar:

—A vergonha não está no que fez, mas, talvez, no porque o fez. E aqui, nem isso importa mais. Ficou para trás. Além do que, por essa mesma casa já passaram muitos. Alguns grandes, outros ordinários. E muitos ainda virão.

— E agora o que eu faço?

— Agora você espera. A sua hora não chegou. E você só pode completar a travessia quando ela chegar. Mas agora, ao invés de aguardar onde você estava, você vai aguardar nesta casa.

— Mas eu vou completar a travessia?

— Sim, quando chegar a hora, a foice sempre faz a colheita.

— Então tem esperança? Então eu ainda posso ir pro céu?

— Céu!? Ah ah ah! Tudo o que sei é que ela vai permitir que você atravesse o rio. E além dele, está o outro lado.

— Então Deus aceita os suicidas?

— Todos os grãos acabam sendo colhidos. De um jeito ou de outro. Além do que, Deus, se é assim que você quer chamar, já aceitou tantos outros.

— E os padres sempre falavam na Bíblia, no atentado contra a própria vida, na palavra do Cristo...

—Sim, sim, eu me lembro dele. Passou algum tempo aqui.

— Aqui?

— Porque a surpresa? Para quem ouvia tanto os padres, você parece não ter prestado muito atenção na história.

— Mas Cristo não se suicidou, ele foi assassinado!

— Aquele que aguarda o trem sobre os trilhos não é então suicida? Devemos culpar o maquinista de homicídio se o atropelado sabia da chegada da locomotiva e aguardou que ela lhe beijasse o rosto? Foi a minha enxada que colheu a vida que a foice não pôde ceifar. Foi aqui que o grão prematuro amadureceu até a travessia.

— Ele atravessou o rio?

— Como você o fará, quando for chegada a hora.

— E eu devo esperar muito?

— Não se preocupe com o tempo. Tempo agora é tudo que lhe resta. E há tempo de sobra.

Sim, leitor! Há tempo de sobra. E se está lendo isso, é porque tempo não lhe falta. Tempo é tudo que tem. Porque esta história termina aqui. E o protagonista não morre no final. O protagonista desta história suicidou-se. O protagonista desta história já morreu.

Mas o protagonista desta história, leitor, não sou eu.

O depois (ou O verdadeiro fim)

Sentia vontade de chorar, mas não conseguia. Os olhos estavam presos. Duros. Frios. Era como se estivesse oca por dentro. Não entendia como ainda conseguia pensar. Sentia um leve cheiro de plantas, que se misturavam com fogo e, de repente, estava rodeada de velas. Se concentrada, conseguia ver vultos. A pequena brecha dos olhos que permaneciam abertos atingia exatamente o ângulo das mãos. Era ali que as pessoas estavam.

Amparados, chegaram o pai e a mãe. Completamente sem norte. Jamais vira as criaturas mais incríveis do mundo naquele estado. Trêmulos, infelizes, incapazes de compreender. Sentia como se a frieza da faca ainda estive cravada no meu peito, e aquilo, sim, matou. Tentou, sem sucesso, abraçá-los. Só a mente funcionava. Quis dizer que os amava, pedir desculpas por aquilo, explicar que encontrariam uma carta embaixo dos seus travesseiros. Não pode. Nunca sentira uma dor tão aguda.

Alguém os tirou dali. Já sentia saudades. Precisava vê-los, mas não podia pedir nada. Queria que um ser superior qualquer que matasse também a mente. O corpo já tinha conseguido, mas jamais imaginou que teria que ver tudo aquilo acontecendo. Era castigo demais, dor demais, sofrimento demais. 

Os conhecidos chegaram primeiro. Amigos dos pais que pegavam a mão e faziam com a cabeça um sinal de negação. Depois vieram os desconhecidos e tinha vontade de mandar todos pras suas casas e deixarem olhar para os que realmente importavam.

De uma só vez, chegaram todos os amigos. Alguns se abraçavam e choravam, outros não se aproximavam. Suas expressões variavam entre descrença e medo, passava de saudade a monstro. Aqueles que nem falava mais, outros com quem convivia diariamente e alguns até que não fazia questão alguma que estivessem ali. Naqueles rostos estavam alguns sentimentos que jamais imaginou que existissem. Por um momento sentia leveza. Sempre disse aos que amava o quanto eles eram importantes. 

Aí ele veio. Pegou na mão e tudo o que queria era devolver aquele toque quente. Os olhos inchados não escondiam a tristeza que sentia. Se pudesse vê-lo, diria que amei e que não se sentisse culpado de nada. Sabia que em poucos dias o correio lhe entregaria a última das trilhas sonoras da mais bela história e, com ela, uma por uma das frases que escrevi nesses tempos. Quis sentir sua intensidade por alguns segundos e só aquela paixão que um dia fez viver poderia fazer sentir morta. Foi assim quando, em poucos segundos, ele se foi e nunca mais o viu. Morria mais um pouco. 

Uma faísca de vida ainda estava em mim. De relance, vi todos os que mais amava e, silenciosamente, pedi desculpas. Queria voltar atrás, eu juro que queria.... Estava escuro. Ouvi gritos e alguns cantos. Depois, o mais torturante dos silêncios. A saudade da vida me fez morrer de verdade, e em poucos segundos adormeci. Pra sempre. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

TRISTE (?) FIM

Como um nobre fidalgo
Eu costumava caminhar
Por ruas, castelos,
E labirintos secretos

Labirintos sem saída,
Castelos sem reis,
Vidas se perdendo,
Quando será a minha vez?

Passo após passo
Como numa eterna caminhada
Quando eu olho para trás,
Simplesmente eu não vejo nada

Uma vida sem sentido,
Uma vida sem razão.
Uma morte sem motivos,
Uma morte sem perdão.

Os anjos do céu e do inferno,
Começam a batalhar
Para a vida ou para a morte
Pra que lado caminhar?

Que diferença faz
Desistir, ou não?
Por um acaso, se morrer
Irei pesar em seu coração?

Os castelos já estão sem luxo,
Os labirintos já estão sem graça.
As ruas estão vazias
As pessoas usam mordaças.

Um mendigo tratado como lixo,
Um negro como um animal.
Tanto eles, quanto eu,
O que fizemos de tão mal?

Na batalha entre o céu e o inferno,
O céu não tem mais chance.
A vida é tão boa,
Mas tão fora de nosso alcance

Agora eu paro por aqui,
Não tenho mais o que dizer
Sobre o prédio eu abro os braços,
O meu destino é morrer.

Aqui em cima é tão bonito,
Eu me sinto tão bem.
Um corpo em queda livre,
O silêncio logo vem...

Uma vida jogada fora,
Por um coração partido.
Uma forte lembrança no peito
De um amor destruído

(originalmente escrito em 1999)