INÍCIO.TAC.TIC.TAC.TIC.BEIJO.
CALOR.TAC.TIC.TAC.TIC.DESEJO.
AMOR.TAC.TIC.TAC.TIC.DESLEIXO.
TORPOR.TAC.TIC.TAC.TIC.DESFECHO.
TIC.TAC.TIC.TAC.TIC.TAC.
OLHAR.TAC.TIC.TAC.TIC.BEIJO.
TOQUE.TAC.TIC.TAC.TIC.TAC.
DANÇA.TAC.TIC.TAC.TIC.LEITO.
TIC.TAC.TIC.TAC.TIC.TAC.
PAIXÃO.TAC.TIC.TAC.TIC.BEIJO.
FOGO.TAC.TIC.TAC.TIC.TAC.
TIC.TAC.TIC.TAC.TIC.TAC.
BEIJO.TAC.TIC.DESEJO.TIC.FOGO.
TOQUE.TAC.BEIJO.TAC.TIC.CORPO.
TIC.LEITO.BEIJO.TAC.TIC.TAC.
AMOR.TAC.TIC.TAC.TIC.LEITO.
TIC.TAC.TIC.TAC.TIC.TAC.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Verborréia (?!)
Da inocência à demência, uma dança exótica ao fim do mundo
Uma neutralidade desumana em frente ao frio humano
Do ego uma reflexão desinteressada desprovida de augúrio
À palavra jogada e ao desentendimento desesperado
Esporadicamente, um olhar de soslaio à dor e às lágrimas
O entendimento debilitado atua em sábia falsidade
Do pó ao pó, com pó nas narinas nesse meio tempo
A caminhada de nada a lugar algum de um falso começo
(pois qual o sentido de uma verborréia desverbada?)
Uma neutralidade desumana em frente ao frio humano
Do ego uma reflexão desinteressada desprovida de augúrio
À palavra jogada e ao desentendimento desesperado
Esporadicamente, um olhar de soslaio à dor e às lágrimas
O entendimento debilitado atua em sábia falsidade
Do pó ao pó, com pó nas narinas nesse meio tempo
A caminhada de nada a lugar algum de um falso começo
(pois qual o sentido de uma verborréia desverbada?)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Abafado
Tudo perdido. Tudo sob a terra, tudo embaixo do morro, agora inexistente. Casa, carro, tudo embaixo da terra. A filha de apenas três anos de idade, morta. Soterrada. Enterrada quando ainda viva. A voz abafada: “Mamãe, mamãe!”. O silêncio.
A dor, o medo, a solidão. O despreparo, a falta de fé. O cheiro da morte no ar. Em todos os lugares, em cada canto escondido e esquecido.
Famílias inteiras dilaceradas pelas águas. Separadas, divididas. Reduzidas a nada.
Amor substituído por dor. Prazer, por pesar. Alegria, por força.
“Mamãe, mamãe!”. Nada.
Hora da reconstrução.
A dor, o medo, a solidão. O despreparo, a falta de fé. O cheiro da morte no ar. Em todos os lugares, em cada canto escondido e esquecido.
Famílias inteiras dilaceradas pelas águas. Separadas, divididas. Reduzidas a nada.
Amor substituído por dor. Prazer, por pesar. Alegria, por força.
“Mamãe, mamãe!”. Nada.
Hora da reconstrução.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
O verbo mudo
Ping!
— Bom dia.
— Bom dia. Nono, por favor.
— Pois não.
Entre as quatro paredes de metal, eu e o ascensorista. E Ray Connif na rádio interna. Sete anos, a mesma rotina. A mesma música. Os mesmos nove andares. Mas não hoje.
— Aliás, oitavo.
— Oitavo?
— Oitavo.
— Pois não, senhor.
Ping!
— Oitavo, senhor.
— Obrigado.
Do corredor à porta de incêndio. Nas escadas, um degrau por vez. Passo a passo. Cada vez mais alto até a porta com o número nove. Novo corredor. O velho corredor. O corredor de todos os dias. Dez passos até a porta de madeira. A mesma empresa. Os mesmos rostos. Os mesmos bom dias falsos. Hoje, sem resposta. Hoje sem sorriso.
A porta de vidro transparente. A sala do chefe. Porta a dentro.
Um único verbo, silencioso, num dedo médio em riste.
— Bom dia.
— Bom dia. Nono, por favor.
— Pois não.
Entre as quatro paredes de metal, eu e o ascensorista. E Ray Connif na rádio interna. Sete anos, a mesma rotina. A mesma música. Os mesmos nove andares. Mas não hoje.
— Aliás, oitavo.
— Oitavo?
— Oitavo.
— Pois não, senhor.
Ping!
— Oitavo, senhor.
— Obrigado.
Do corredor à porta de incêndio. Nas escadas, um degrau por vez. Passo a passo. Cada vez mais alto até a porta com o número nove. Novo corredor. O velho corredor. O corredor de todos os dias. Dez passos até a porta de madeira. A mesma empresa. Os mesmos rostos. Os mesmos bom dias falsos. Hoje, sem resposta. Hoje sem sorriso.
A porta de vidro transparente. A sala do chefe. Porta a dentro.
Um único verbo, silencioso, num dedo médio em riste.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Nós
Ela, coração. Ele, razão. Eles, história.
Ele, melodia. Ela, poesia. Eles, música.
Ela, doce. Ele, amargo. Eles, café.
Ele, indiferença. Ela, crença. Eles, divergência.
Ela, exclamação. Ele interrogação. Eles, reticências.
Eles, fim. Ele, razão. Ela, coração.
Ele, melodia. Ela, poesia. Eles, música.
Ela, doce. Ele, amargo. Eles, café.
Ele, indiferença. Ela, crença. Eles, divergência.
Ela, exclamação. Ele interrogação. Eles, reticências.
Eles, fim. Ele, razão. Ela, coração.
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