sexta-feira, 27 de março de 2009

Caídos

Uno levantou-se e caminhou com seus passos pesado até o meio do salão. As vestimentas brancas e azuis reluziam no ambiente claro. Olhou em volta e viu que todos estavam ali, esperando suas ordens.

- Iremos intervir.

Sua voz grave, emudecida na maior parte do tempo fez tremer o chão do templo, e criou feições de medo e preocupação no rosto de cada um de seus seguidores. O Uno uniu as mãos esticadas à sua frente e voltou a afastá-las, deixando com que um pó brilhante caísse por entre os dedos e tomasse o chão. Nos brilhos faiscantes que emitiam, viam-se diversas estrelas, e logo elas uniram-se formando o que parecia ser um mapa.

O Uno olhou para o mensageiro, que logo começou a explicar o plano. As frentes organizadas estavam ocupando um território amplo, tanto em terras quanto em poder. Estavam causando danos umas às outras, mas muito além disso, estavam perdendo o controle e atingindo todos ao seu redor.

O anjos se prepararam todos, desde o portador das curas até o das bênçãos. Mas Uno surpreendeu ao chamar dois dos renegados: Penélopos e Ramiriel.

Penélopos há muito vivia trancafiado nos cantos escondidos do palácio celestial. Ele, o Anjo da Discórdia era renegado por todos os outros. Foi convocado para se infiltrar nas organizações armadas que traziam tanto dano aos que as cercam. Depois de suas ações, outro anjo considerado de classe inferior foi chamado por Uno.

Ramiriel nunca conseguiu se enturmar com os outros, que sempre o deixavam de lado. O Anjo do Desapego raramente fazia trabalhos por ordem de Uno. Mas dessa vez foi chamado a intervir, e atuar lado a lado com Penélopos.

E assim, os dois anjos esquecidos deram sua contribuição novamente ao exército celestial. Penélopos foi indispensável para desmontar as estruturas organizacionais dos grupos em combate, com intrigas, traições e golpes inesperados. Ramiriel, por sua vez, atuou logo em seguida, apagando o fanatismo cego de ambos os lados do conflito.

Nas batalhas deste mundo, não há apenas mocinhos e vilões. Muitas vezes os heróis são os que sempre foram considerados os errados. E quem era chamado de mocinho, apenas é mais uma parte da engrenagem bélica.

4 comentários:

Rodrigo Oliveira disse...

a via é interessante, podia ser menos moral da história, eu acho. tem algo interessante ali no meio, mas tb tem algo q faltou... sei lá

Félix B. Rosumek disse...

Eu acho que essa história de Anjo do Desapego não justifica nada! hahahahaa

Mas sempre é bom ver um pouco de fantasia por aqui, embora eu concorde com o Rodrigo. Faltou alguma coisa, podia ser melhor se tivesse explorado mais o assunto e deixar a "moral da história" mais diluída nas coisas.

Vivi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivi disse...

A intenção foi boa. Pareceu-me uma espécie de narrativa primordial com a transfiguração literária do ético-religioso. Abordagens assim tendem para os finais com o teor moral bastante acentuado, o que eu não aprecio. Mas,não posso deixar de ressaltar que, ao final, você aludiu a uma análise importante do maniqueísmo que estrutura o pensamento tradicional. È uma discussão promissora.