sábado, 15 de dezembro de 2007

Eram os arquitetos astronautas?

Seguiram o objeto por toda a noite. Por mais de uma hora ele sobrevoou a Pedra do Leme. Quando partiu voando em direção ao Pão de Açúcar a equipe de terra sabia que não poderia mais acompanha-lo. Uma equipe anfíbia aguardava de prontidão próximo à Fortaleza de São João e seguiu o objeto quando ele partiu em direção nordeste. Cruzaram o Forte da Boa Viagem esperando que os radares do Santos Dumont não captassem nenhuma atividade. O objeto pairava agora, silencioso, sobre uma pequena península do outro lado da baía. Sem as luzes cintilantes, era quase incógnito a olhos nus. Mas os olhos que o seguiam estavam bem vestidos. Os binóculos de visão noturna denunciavam o objeto mesmo na noite sem lua e os radares de mão captavam as ondas de baixa freqüência que emitia. Nos relatórios constaria um treinamento qualquer em Niterói, mas não seria o capitão que cuidaria da papelada.

Já na praia pedregosa na base da península, ajeitou o uniforme camuflado, e deu ordem aos homens para seguir. O objeto pousaria em breve. Escalaram o pequeno trecho por entre a mata e logo se posicionaram, cercando o objeto que pousava no escuro. A tropa de assalto se aproximou oculta pela mata e pela noite, enquanto os atiradores de elite regulavam as miras telescópicas, procurando por um alvo. Quando já se encontrava próximo à linha das árvores o objeto acendeu algumas luzes auxiliares, que vagavam pelo chão a procura de um lugar adequado. Apesar de débil, a iluminação foi suficiente para divisar os contornos da espaçonave. O disco era fabricado por algum material sem emendas, branco, que brilhava esverdeado através das lentes do binóculo. A circunferência da base era consideravelmente menor que a circunferência da parte superior, forçando as laterais a se erguerem projetadas para fora. Era magnífico! Correndo ao redor de toda a lateral, uma grande faixa de material translúcido permitia que os tripulantes observassem o exterior. Era dali que provinham as luzes que iluminavam o solo agora próximo. O enorme disco pairou bem baixo por alguns minutos, fazendo o capitão se perguntar se haviam sido percebidos. Mas logo, de baixo do disco voador, uma abertura circular surgiu com um chiado lembrando um freio a ar. Um grande cilindro, do mesmo material branco que era composta a nave, baixou de vagar, como um trem de pouso, e tocou o solo. O zunido baixo dos supostos motores cessaram. O OVNI havia pousado. Um comando no rádio pôs os homens a postos. Uma porta se abriu no cilindro que tocava o solo. A equipe de assalto já estava bem perto. Saíram cinco seres de aspecto humanóide da nave. Vestiam uma grossa roupa acolchoada e um capacete que lembrava o formato da nave, com a mesma lateral transparente que permitia a visão. Os homens nem tiveram tempo de apreciar os visitantes. A uma ordem do capitão os rifles silenciosos dos atiradores de elite puseram ao chão, instantaneamente, as cinco criaturas. Todos os homens correram em direção ao disco enquanto a tropa de assalto invadia com fuzis não tão silenciosos. Do lado de fora se ouvia o som abafado das granadas de luz e fumaça e os estampidos secos das armas. Quando o capitão entrou, a nave havia sido tomada.

Por dentro do disco, um vão central hexagonal desnudava quatro pavimentos, de onde, pelas laterais transparentes, tinha-se uma visão de 360º do exterior. Ao sul uma pequenina ilha no mar; ao norte, depois das árvores, a cidade adormecida; e de cada lado, como asas, uma baía que se estendia com uma praia. Do extremo da praia a oeste, o Forte da Boa Viagem observava o novo vizinho com olhos despreocupados. A nave havia sido tomada, a tripulação morta e apagada de registros, os espólios e a tecnologia seriam recolhidos. Todas as provas seriam facilmente destruídas. Mas aquele disco não haveria como esconder. Tanto faz. O transformariam numa igreja ou museu, e diriam que é mais uma maravilha arquitetônica. Se o povo acreditaria? Com os cuidados certos e as devidas alterações, sim. Eles já acreditaram antes. Sim, claro que precisariam de alguém a quem creditar a “autoria”. Mas não teria problema, já tinham um nome em mente. Como tinham certeza que ele não se negaria? Ele não se negou da outra vez, em Brasília.

2 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

boa! as obras do cara só podem ser de outro mundo. o que é também aquele olho gigante de curitiba senão um disco voador disfarçado?

Fábio Ricardo disse...

Mto bom!
"ele não se negou da outra vez" foi a cereja do bolo!