terça-feira, 26 de agosto de 2008

Aniversário

26/agosto/2008


Chegou em casa, cansada, após um dia inteiro de trabalho. Colocou a chave na porta e abriu. No outro lado, ele aguardava ansiosamente para saber a reação dela ao ver aquele arranjo todo. Ela já estava preparada para desabar em lágrimas ou voar no pescoço dele assim que aparecesse, mas pelo visto, ele não estava em casa. As luzes todas apagadas, silêncio absoluto, e ele escondido no quarto a esperar o momento mais oportuno.


Aniversário de casamento. Ela não entendia como ele pôde esquecer aquela data tão especial para os dois. Não mandara flores, não servira café na cama, sequer um abraço apertado seguido de parabéns. Nem mesmo uma carta, como costumava mandar nos aniversários de namoro. Nem uma música, nem um poema. Nada. Sim, ela estava prestes a desabar. Só se ouvia o som de seus suspiros, cada vez mais profundos. Não tinha forças para ligar a televisão ou caminhar até a cozinha para comer alguma coisa. Seu estado era de torpor. Um esquecimento desses era brutal pra uma mulher romântica, acostumada com tantos mimos. Começava a pensar o que tinha feito de errado, se ele ainda a amava. Será que estava sendo traída? Passava de tudo por aquela cabeça aflita.


No quarto, ele já estava cansado de esperar, mas não desistia de sua idéia inicial. Cada minuto parecia levar séculos para passar e nada dela aparecia à porta. Não conseguia ver nem sua sombra, afinal, não existiam luzes fora do quarto. A porta entreaberta não deixava escapar a luz das velas postadas sobre mesa. O champanhe estava bem gelado, mas a comida estava esfriando. Se ela não entrasse logo, ele precisaria mudar os planos.


Ele contava com a sorte. Começava a ouvir passos lentos e, atento, preparava os detalhes finais que precisavam ser finalizados na hora. Quando viu a mão dela sobre a maçaneta, apertou o botão que dava início a uma sessão nostálgica de músicas românticas. Olhando as estrelas... nada no espaço... fica parado... no lugar...



Sem conseguir respirar direito, assustada com o som que surgira de repente, parou diante da porta levando alguns segundos (eternos) para avançar porta adentro. Foi quando viu seu quarto decorado, os pequenos detalhes da mesa cujo castiçal imponente servia a luz das velas à refeição meticulosamente planejada, as cortinas novas, que davam um clima todo especial para o ambiente, e sentiu as lágrimas que corriam sobre seu rosto. Sentia como se cada lágrima percorresse todo seu corpo deixando as pernas trêmulas. Tinha borboletas no estômago.


Como num passe de mágica, ele apareceu e a tocou suavemente, segurando sua cintura e aproximando a boca de seu pescoço gentilmente despido. Aquele era o aroma do amor, que contagiava o quarto e acendia a paixão entre homem e mulher. As curvas do corpo dela, acariciadas com todo o carinho e toda volúpia que se pode imaginar, saltavam em forma de sombra nas paredes (parece que até elas, as paredes, queriam participar desse momento mágico).


Colocando uma das mãos atrás da cabeça dele, fazia com que se aproximasse ainda mais de seu semblante, marcado pela emoção. Ele percorria a pele dela, cobrindo-a de beijos e carícias até o instante em que ela não resistiu. Virou-se com vigor e beijaram-se como se fossem amantes de primeira viagem, lançando-se um ao outro com o ímpeto que só a paixão proporciona. Um fogo, vindo do corpo, complementando o outro que está na alma.


Nenhum deles conseguia lembrar da comida esfriando ou do champanhe esquentando. Caíram em seu próprio leito com a delicadeza de quem dança a mais formosa das danças. Olharam-se nos olhos e viram um no outro o céu estrelado de seu primeiro encontro. Mergulharam intensamente nos seus próprios sabores e se permitiram levar, voluptuosos, ao mundo já conhecido de seus prazeres, no qual sempre encontram recantos incógnitos para explorar.

3 comentários:

fabioricardo disse...

cheeeega de romantismo! cadê a putaria?
hahahaha

Thiago Floriano disse...

a putaria fica por conta do félix... ainda não consegui ler o texto pq não to em casa... tenho medo de abrir no trabalho, mesmo em horário de almoço... ahahahha

Cris Costa disse...

Thiago,
Que romântico!!!
Gostei!!!você deixou que o leitor imagine o final da cena...e haja imaginação!!!
PS: o seu texto foi o mais tímido, mas rendeu uma leitura deliciosa!

Parabéns!!