terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fissura

Era como todas as noites. Ele chegava cansado, ela já estava na cama. A tevê ligada mostrava os sinais de uma rotina. Ele deitou com cuidado para não acordá-la. Assim que levantou as cobertas, ela virou-se. Vestia uma lingerie preta e estrategicamente escolhida para que a meia luz da tevê mostrasse apenas o essencial. Levantou-se, encarou o então imóvel namorado. “Muito cansado pra mim?”.

Começou pelos pés. Sabia que ele sentia arrepios neles e mesmo que aquela fosse a parte que mais detestava em todas as pessoas, o pé dele era lindo. Fez alguns carinhos, aproximou-se e deixou que o pé dele percorresse seu corpo enquanto as mãos chegavam à barriga. Quando passou, sentiu o olhar de clemência. Ela sabia que ele queria que ela parasse ali.

Olhares diziam mais do que qualquer palavra ousasse representar. O silêncio era cheio de sensações e calores. Ela insinuava-se, enquanto ele se mantinha imóvel. Fez com que cada pedaço da pele dele se arrepiasse. Não deixou que ele tocasse nela. Arrancou suas roupas mínimas com suas próprias mãos, deixando a nudez simples e a meia luz fazer com que ele perdesse ainda mais o pouco de controle que ainda tinha.

Deitou-se nele. Encarou-o nos olhos. Deixou que seus lábios tocassem os dele, sem sequer insinuar um beijo. Ele tentou segura-la pela cintura. Ela juntou as duas mãos em cima da cabeça dele. Fuzilou seus olhos e ele entendeu. Largou calmamente, sentindo vir do corpo dele um calor que fazia com que ambos suassem.

Devagar, beijou-lhe suavemente a nuca sem pressa. Colocou a mão embaixo da cama sem que ele percebesse. Deslizou sobre a pele dele com as mãos geladas e em meio a expressões de susto e o arrepio da pele dele, repentinamente parou. Dois segundos de cumplicidade e ele toma o controle da situação.

- Gostou da surpresa, amor?
- Lógico. Boa noite, baby – virou para o lado.

Sofia fez uma nota mental de nunca mais tentar agradar aos homens com roupas, carinhos e sensações especiais. Depois apagou. Afinal de contas, os homens nunca entendiam que elas faziam tudo aquilo pelo seu próprio prazer.

4 comentários:

Pedro disse...

OOOOOOO SOOOOFIAAAAAAAA DAAAA PUUUUUTAAA! faz isso, não...


ps: créditos do título por Pedro Machado

Marina Melz disse...

Créditos do título: Pedro Machado.

Cris Costa disse...

Marina,
Adorei o conto a partir do ponto de vista feminino. Curiosamente o Fábio também apresentou uma Sofia.
Parabéns!!!

João Alberto disse...

Marininha, Marininha, Interessante seu texto!
Sabes que acho bem bacana a idéia do Duelo de Escritores e
ainda vou entrar no clube!
Me aguarde! :)
Beijos!