quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Diálogo

10/03/04

- Alô?
- Ahn... Olá... Humm... Darlene?
- Não. Quem quer falar com ela?
- É o... Humm... Um ami...
- Tá, espera aí. Maria Do Socorro, telefone!
- Alô?
- Ahn, deve ser um engano... Eu queria fala com a Darl...
- É ela. Pode falar.
- Bom, eu vi teu anúncio no jornal e...
- E?
- Queria saber... Quanto?
- Trezentos reais a hora.
- Trezentos paus? Que facada!
- É o preço por um bom produto...
- Trezentos é muito... Faz por duzentos?
- Sinto muito, duzentos é o preço.
- Mas é caro!
- Quer coisa barata, procura outra.
- Ah, eu vi fotos tuas na internet... Não tem garota mais linda que tu nessa cidade!
- Então, querido... Por isso o preço é alto. Muita gente prefere qualidade a pechincha.
- Tudo bem... Trezentos por duas horas?
- Nã-nã-não, meu bem... Meu preço é esse, e garanto que vale a pena...
- Ah, dá um desconto aí, ô!
- Olha, essa linha não pode ficar muito tempo ocupada. Sou uma garota muito popular, sabe? Tem mais gente querendo falar comigo.
- Tudo bem. Mas se tu não conseguir nada para hoje, me liga de volta, tá? Meu telefone é XXX-XXXX. Vai ser melhor do que não ganhar nada.
- Isso eu duvido muito que aconteça, meu anjo. Tchauzinho...

* * *

- Alô?
- Olá, eu gostaria de falar com o... o... Droga, qual o nome dele mesmo?
- Maria? Quero dizer, Darlene?
- Ah, sim, oi. Sou eu.
- Nada para hoje, hein?
- Ainda quer?
- Duzentos pila?
- Trezentos. Duas horas.
- Duzentos e cinquenta?
- Não abusa.
- Ok. Onde? Tem lugar?
- Gosto de motéis...
- Conhece algum bom?
- O "Luxúria" é ótimo...
- Sei onde é... Onde posso te pegar?
- Na Rua Das ..., número XXX, apartamento XXX.
- Ótimo. Daqui a uma hora estou aí.
- Até mais, querido...
- Tchau!

* * *

- Sim?
- A Darlene está?
- Quem quer falar com ela?
- O Germânio.
- Germânio?
- É, o cara do telefone.
- Muita gente liga pra esse telefone.
- Ahn... Eu sou o "um ami".
- Ah, você. Peraí que ela já desce.
- Obriga...

* * *

- Olá, Darlene.
- Olá, meu bem. Germânio o teu nome, então?
- Aham.
- Sei...
- Mas é mesmo!
- Pode ficar calmo, querido. Estou acostumada a isso.
- Mas é...
- Você tem algum apelido?
- Meu amigos me chamam de Gezão. E minha mãe de Gezinho.
- Ah... Posso te chamar de Ger?
- Claro, Dar. Ou prefere Socorrinho?
- Gostei do Dar... Onde está teu carro?
- Passa só daqui a uns dez minutos.
- Como?
- Para ir no "Luxúria" não tem que pegar a linha XXX?
- Ônibus???
- Claro.
- Eu mereço... É, essa mesma...
- O ponto é logo ali. Vamos?
- Vai na frente, eu já estou indo...

* * *

- Mãe! Alguém ligou para mim?
- Não, Maria. Algum problema?
- Sim... Ai, quero dizer, não... Fica tranquila. Até daqui a pouco.
- Duas horas?
- Umas três... Se o ônibus não atrasar muito...

* * *

- Voltei.
- Percebi.
- ...
- Então...
- Hummm...
- Maria Do Socorro, hein?
- Darlene, para os... amigos... "Germânio"...
- É meu nome mesmo! Quer ver a identidade?!?
- Não precisa, Ger...
- Sabe, tu é mais bonita ao vivo que nas fotos...
- Obrigada.
- Universitária, sensual, carinhosa, tarada, gulosa e completa?
- Ahnnn... Anúncio é anúncio, sabe? Mas acho que é isso mesmo...
- O que tu faz?
- Hein?
- Ou melhor, o que tu não faz?
- Assim tu me encabula...
- Tudo?
- Bom... Dentro dos limites da normalidade... Tudo... E muito bem, por sinal...
- Por trás? Engole? A três?
- Bah, isso é básico.
- O que não é normal?
- Ah, sei lá...
- Cadáveres? Crianças?
- Não, não! Ui! Eu queria dizer coisas como... Levar pancada forte, ou enfiar objetos...
- Enfiar objetos não é normal?
- No cara, não!
- Ah, tá...
- Porque o interesse? Eras a fim?
- Não, não! É que...
- Olha, o ônibus chegou!

* * *

- Amigo, quanto está a passagem?
- Dois e cinquenta, senhor.
- Que assalto... Bom, aqui está.
- Obrigado, senhor.
- Querido...
- Sim, Dar?
- Não esqueceu de nada?
- Do que?... Ah... Bom, cada um paga a sua, né?
- Como assim???
- É trezentos mais taxa de transporte? Não me avisasse...
- Raios... Eu ainda vou me arrepender disso... Tudo bem, então. Tome...
- Obrigado, senhora.

* * *

- Enfim, sós...
- Bonito lugar.
- Nunca tinhas entrado num motel antes, meu bem?
- Não. Na verdade, eu sou virgem.
- O que?
- É. Zero quilômetro. Louco para mudar.
- Ah, agora entendo o desespero... Pode deixar, meu garoto, vais sair daqui um homem completo...
- Tu me garante?
- Garanto que sim... Maior de idade, né?
- Com certeza.
- Então relaxa, meu amor... Quer desbravar o que tem por baixo desse vestido, hum?
- É para isso que eu tô pagando, não?
- Ok, senhor estraga-climas... Vai tirando essas calças, rápido!
- Desculpa, é que o tempo é curto... Deixa eu ativar o cronômetro...

* * *

- E então?
- Ahhnnnnnn?
- O que achou, querido?
- Nossa, não sei como passei tanto tempo sem isso!
- É... Agora vai viciar...
- Espero que não... Meu orçamento não iria permitir... E craque é mais barato, se for o caso.
- Argh! Comparada com uma pedra de cocaína suja!
- Pelo menos eu não falei "chá de cogumelo", a obtenção é ainda pior...
- Uhum...
- E para ti?
- Para mim o que?
- Como foi?
- Bom... Digamos que, para uma primeira vez, você foi razoável...
- E no geral?
- Deu pro gasto.
- Tem certeza? O cronômetro tá no quinze...
- Já vi gente pior, nem esquenta. Se nós fossemos namorados, daí eu me preocuparia.
- Tens namorado?
- Não... E não estou à procura de um no momento, certo?
- Ok... Ei, ele está voltando à vida!
- Já???
- Ele sabe como cada minuto perdido sai caro.
- Umpf... Bom, vamos fazer isso direito agora, então...

* * *

- Ufa!
- Essa foi melhor?
- Bem melhor... Poucos clientes conseguem me dar um orgasmo.
- Sério? Não foi fingimento?
- Não.
- Nem na primeira?
- Ah, naquela sim.
- Ahnnn... Pareceu que a primeira foi mais verdadeira...
- Não. Essa agora foi... E como foi!
- Então quanto mais teatrinho, maior a chance de ser fingimento?
- É... Pode ser por aí...
- Bom saber. Então eu fui demais nessa?
- Não vamos exagerar. Digamos... Surpreendente.
- Isso é um elogio... Acho...
- Claro que é... Falando nisso...
- Diga.
- Não queres beber nada?
- Eu estava pensando nisso. Acho que vou pegar uma cerveja.
- Duas, né?
- Tu quer mesmo? Aqui parece ser caro.
- E daí?
- Tudo bem, não te preocupa que eu pego para ti.
- Só pEga?
- Claro. Porque?
- Entendo... Aluga a máquina, mas não paga o combustível... Vou lembrar disso na próxima...
- Tem Skol e Schin. A Schin é mais barata!
- Me traz uma Skol, meu querido... Unha de fome...
- Hein? Não escutei.
- Esquece...
- Aqui está.
- Obrigada... Ahhhh, refrescante...
- Bom, né? Mas toma rápido.
- Por qu... Nossa!
- Tem muita energia acumulada. Agora ele está a toda.
- Tudo bem... Não pode ser rápido dessa vez... Vamos lá!

* * *

- Ahhhhhhnnnnnnnnn...
- Essa foi fingimento, não?
- Fingimento? Nunca! Foi incrível!
- É que teve teatrinho demais...
- Se tu soubesse o que são orgasmos múltiplos, não pensaria isso...
- Eu sei o que são orgasmos múltiplos!
- Saber é uma coisa... Sentir é outra.
- E pular é outra. E andar de bicicleta é outra. Claro.
- Bobo!
- Que tapa fraco.
- É que foi de brincadeira, oras.
- Ah, sei... Isso parece coisa de casalzinho.
- Verdade. Intimidade demais. É melhor parar por aí.
- Ei, ainda faltam cinquenta e dois minutos!
- Eu não estava falando em parar isso... Se bem que, se continuar assim, eu vou sair daqui morta.
- Espero que não. Deve ficar gelado.
- Eu também espero. Tenho que ir para a faculdade amanhã ainda.
- Ahá! É universitária mesmo!
- Claro que sim.
- Muita gente bota isso no anúncio só para atrair, não?
- É... Os velhos adoram traçar garotinhas...
- E tu gosta dessa vida?
- Falando assim parece que "essa vida" é algo horrível...
- Não queria dizer isso. Mas tu gosta?
- Eu faço sexo toda noite e ainda ganho dinheiro. Qual a parte ruim?
- É, tem razão. Mas e quando tais sem vontade?
- Daí eu não saio.
- Os clientes não ficam brabos? "Como assim, fechado para manutenção" e coisas do tipo?
- É, alguns ficam. Mas a procura é grande. Eles resmungam, batem o telefone na minha cara e depois de uns tempos ligam de novo.
- Que grossos. Não tem educação, não?
- Desde quando homem se importa com sentimentos de pu... hum... acompanhante?
- Não acredito que nós sejamos assim...
- Não? Vai numa zona um dia para ver... Pais de família e homens de negócios viram bárbaros selvagens.
- É por isso que tu não trabalha em uma?
- Eu não preciso. Em zona tem que pagar para o dono também.
- Pra que pagar se o dono não faz nada?
- Ele fornece o lugar.
- Lugar até eu posso fornecer. Tem um quarto na minha casa que dá para botar uma cama de casal. É só limpar o pó.
- Então abra uma zona, oras.
- Isso parece interessante. Será que posso entrar no negócio?
- Virar cafetão?
- Não, prostituto.
- Poder tu pode. Mas eu nunca vi garoto de programa que não atendesse "elas & eles", ou pelo menos casais.
- Eh, isso não! Não dá para atender só mulher?
- A procura é pouca. Mas se tu tiver essa disposição com todas, é só aprimorar a técnica que podes fazer sucesso.
- Por falar em disposição...
- Não acredito! Vai acabar caindo assim!
- Espero que só caia daqui a uma hora.

* * *

- Puf... Puf... Afff... Eu vou morrer...
- Essa foi demorada, hein?
- É... Levando em conta o tempo da primeira, tu já progrediu muito. Ufff...
- Cansada?
- Muito. Por isso não costumo fazer programas de duas horas... Corro o risco de encontrar um monstro com tu.
- Vou tomar esse "monstro" com um elogio.
- Depende do ponto de vista. Tem donas de casa que acham quatro demais até para um ano. Se tu for sempre assim, casa comigo.
- Aceito.
- Eu estava brincando.
- Droga.
- Cigarro?
- Não, obrigado. Isso faz mal.
- Eu sei. Cerveja também, e tu tomou.
- Mas a cerveja que eu tomo não estraga o fígado de quem está do meu lado.
- Ok, entendi. Posso passar sem dessa vez. Afinal, seria esperar demais que tu fosse comprar um para mim, certo?
- Pelo teu bem, claro.
- Sei...
- Por que tu não teve mais cliente hoje? Não tem procura sobrando?
- Hoje foi um caso a parte. Um desmarcou, o outro eu não queria ver.
- Sorte minha.
- Muita.
- Porque tu é tão procurada?
- Não deu para perceber?
- Claro que deu. Mas tanta gente assim está disposta a pagar tanto por uma hora de diversão?
- Não tem quem pague uma fortuna por alguns segundos pulando preso em um elástico? Então...
- Pois é...
- É só unir dinheiro a casamentos infelizes e você tem um vasto mercado de trabalho.
- Então tu ganha dinheiro com a infelicidade dos outros?
- Prefiro pensar que eu dou um pouco de alegria aos infelizes. É mais romântico.
- Lindo. Trabalho voluntário nem pensar?
- Nem pensar. Tudo por um preço módico.
- Nada módico.
- Nem todos pensam assim.
- Desse jeito até parece fácil ganhar dinheiro.
- Não é. Precisa-se romper dogmas morais idiotas, enfrentar preconceitos, gostar da coisa... E ter um corpo abençoado, claro.
- Por Deus?
- Pelo Demônio, eu acho.
- Pela Natureza, pode ser?
- Ótimo.
- Posso dar uma olhada atenta nesse corpo?
- Olhar?
- É.
- Tudo bem. É tu quem está pagando, lembra?
- Assim parece eu falando...
- Essa foi a intenção.
- Hummm... Quanta coisa aqui... Deve ser difícil fazer alguma coisa decente com a boca.
- É um mundo novo?
- Bom, já vi coisa parecida nas aulas de anatomia. Mas era frio e fedia a formol.
- Argh, não fala nessas coisas!
- Ok, esse tapa foi forte...
- Desculpe. Não gosto de gente morta.
- Na verdade era apenas esse pedaço, não a pessoa inteira.
- Que seja, que seja!
- Mas não é tão horrível quanto aparenta. Na verdade, parece borracha e...
- Quer continuar olhando, por favor???
- Sim, senhora. Incrível... Nem um buraquinho.
- É por que estou com as pernas dobradas.
- Pensei que não tivesse.
- Sonhe, querido. Mulher alguma escapa.
- Mas nas revistas...
- Computador. Algumas atrizes de TV devem ter a bunda parecendo a Lua.
- Não destrua minhas ilusões.
- É apenas a verdade.
- Raios! Jamais vou conseguir olhar um pôster de revista com os mesmos olhos!
- E não esqueça das calças jeans, que escondem muita coisa.
- Agora é a vez de você ficar quieta.
- Tudo bem. Afinal, tu é o patrão, não?
- Sou sim. Agora vá para o chão e imite um pinguim.
- Não exagere.
- Um ornitorrinco então?
- Ornitoquê?
- Um pato com pêlos que bota ovo e amamenta os filhotes.
- Parece seriado japonês. Uma lula que anda e solta raios laser.
- É tão bizarro quanto. Mas eles não crescem.
- Ao contrário de certas coisas, pelo visto.
- Toda essa investigação deixou ele atento.
- Mais uma e ele vai quebrar no meio.
- Será que isso pode acontecer?
- Nunca vi.
- E já viu muitos, imagino.
- Mais do que tu imagina.
- Desde quando?
- Comecei tarde, mas não tão tarde quanto tu...
- Depois que começa não se pára mais, hein?
- É. Arranja uma namorada logo.
- Que tal tu?
- Compre um carro e me sustente que a gente conversa. Só queria te alertar para as inevitáveis crises de abstinência.
- Não me assuste.
- Mas sempre pode contar comigo, claro.
- A fidelidade do cliente conta?
- Muito.
- Descontos progressivos?
- Talvez.
- Vou pensar no caso. Mas ainda tenho dez minutos...
- Devo me lembrar de nunca mais fazer programas longos...

* * *

- ...
- ...
- ...teu celular tá tocando...
- Não tenho celular. É o relógio.
- Fim do tempo?
- É.
- Deus existe.
- Tem bônus?
- Sonha! Não consigo nem me mexer mais.
- E eu vou precisar comprar um saco de gelo.
- Passa Gelol. Vamos antes que eles cobrem mais pelo quarto.
- Adeus, quarto. Sempre lembrarei de você.
- "O lugar onde deixei minha inocência"?
- Não, a inocência foi-se há tempos. Já tive duas parceiras sexuais.
- Quem?!?
- Minha mão esquerda e minha mão direita.
- Acredite, elas não conseguirão mais matar a ânsia.
- Droga. Revista custa pouco e dura para sempre.
- Mas dá pra comparar?
- Nem de longe.
- Então não reclama.
- Não estou reclamando. Quanto é o motel?
- Oitenta.
- Tens quarenta trocado?
- Maldições... Vou acabar no prejuízo desse jeito...
- Que nada. Trezentos, menos quarenta, menos dois e cinquenta, menos...
- Ah, tá bom! Toma!
- E agora? Para casa?
- Para um spa seria melhor...
- Falando assim até parece que não gostou.
- Gente como eu sempre tem que gostar do que faz.
- Mas não foi nem um pouco diferente?
- Foi.
- Quanto?
- Muito bom, por sinal.
- Só muito bom?
- Tá! Foi espetacular, genial, nunca vi um homem assim na minha vida! Feliz agora?
- Muito. Tu pagaria por isso?
- Para que, se posso fazer ganhando?
- Só estou fazendo uma pesquisa de mercado.
- Se eu fosse uma perua rica mal comida, pagaria todo dia.
- Bom sinal.
- Mas eu mesma? Não, nunca.
- Ah...
- Bem, eu vou pegar o ônibus logo, que essa deve ser a última linha.
- Eu vou contigo.
- Para que? Pagar minha passagem?
- Não, para garantir que tu vai chegar viva em casa.
- E tu se importa?
- Para não ser acusado de estupro quíntuplo seguido de morte, sim.
- Eu não devia esperar mais...
- Se quiser mais...
- Não, obrigado! Céus, preciso de uma pomada!

* * *

- Pronto, está entregue.
- Agradeço ao transporte público.
- Então, acho que é adeus.
- Não tão rápido. Há certas coisas que tu precisa pagar, senhor pão-duro.
- Droga.
- Espero que toda essa economia tenha sido avareza, não falta de dinheiro.
- É, eu não tenho um centavo.
- E, se isso for verdade, não vai ter um testículo também.
- Afffff... Pode largar, pode largar! É brincadeira.
- Confiado.
- Aiiii...
- Então?
- Aqui.
- Obrigado, querido. Volte sempre.
- Nota fiscal?
- Muito engraçado.
- Tu deveria rir. Afinal, fiquei só com a grana da passagem de ônibus.
- Tu que acha...
- O que?
- Afinal, eu forneci as camisinhas. Como nós dois usufruímos o produto, vamos rachar.
- Mas tu não falou isso antes!
- Estou dizendo agora. Apenas o que é justo, meu anjo.
- Raios. Pegue.
- Obrigado.
- E agora vou ter que voltar a pé.
- Ora...
- Que??
- Pode dormir aqui, se quiser.
- Sério?
- Aham.
- Gostei da oferta. Cama de casal?
- Sofá da sala.
- Melhor que nada. E tua mãe?
- Sem problema.
- Então vamos.
- ...
- ...
- Tu dorme com a porta trancada?
- É algo que tu só vai saber testando...
- Isso foi uma oferta?
- Só não nas próximas horas, por favor!

3 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

Como a semana está complicada, vai um texto velho. Quando escrevi isso achei bem legal e diferente a idéia de fazer toda a ação ser subentendida só por diálogos. Agora sei que é uma estratégia comum, usada muito aqui no Duelo, principalmente para textos curtos (e se tornou a técnica preponderante dos fillers, em substituição ao "Agora sento diante do meu computador, sem idéias").

Mas é uma técnica que, quando bem utilizada, eu acho muito legal. Cai como uma luva em textos humorísticos ou filosóficos, onde o que interessa é mais a idéia, em detrimento da ação e ambientação.

Clóvis Truppel disse...

Ow gosteida condução deste texto sua picardia e tals
sin duda es lo mejor...

Fábio Ricardo disse...

po, taí. eu gostei.
conseguiu manter o pique mesmo no texto longo, trabalhando com pausas providenciais.