terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Cansei de ser pedante

Escrito por volta de 2004

Cansei de ser pedante.
Vou ser tosco e desregrado.
Beber Bukowski e cheirar dos Anjos.
Rasgar o verbo na sarjeta literária.

Vou acordar no beco com o beijo dos cães.
Ter versos cantados pra putas de tetas caídas.
Vou vender o Kafka que me restou,
pra comprar um cigarro avulso e literatura de quinta.

O clássico ficou velho. Caduco.
Não me emociono mais com um mictório qualquer,
nem com um neólogodepalavrasgrudadas.

Com o verbo tosco que me resta,
serei pequeno e medíocre.
Vou mandar o mundo,
a arte,
à merda.

E andar fedido pelos becos até que um mendigo me deite veneno ao ouvido.


4 comentários:

Rodrigo Oliveira disse...

Não deu. Eu tava fazendo um conto pra pôr aqui mas tava ficando mto podre e ia estourar o tempo. Essa q foi postada tá mais ou menos dentro do tema, mas já deve ter uns 3 anos, eu acho. mas enfim, postei. Se algum dia eu conseguir fazer o outro texto prestar, talvez eu poste em alguma oportunidade.

Félix B. Rosumek disse...

nada melhor que uma poesia como esta aí quando a gente tenta trabalhar em uma outra obra, mas o troço simplesmente "não vai"...

ah, e se ela tem uns três anos, pode entrar pro clube das poesias de 2004, que por enquanto impera nesta rodada!

Thiago Floriano disse...

muito bom...
ô, rodrigo...
só coloca a data ali embaixo do título... pelo menos aproximada...
se é de uns 3 anos atrás... +/-2004...
pra variar, eu e a marina ficamos pra trás e demoramos pra postar...

Fábio Ricardo disse...

o cara é tão pedante, mais tão pedante, que mesmo quando resolve não ser pedante, ele usa tanta referência que se torna pedante. Mas como o poema é para outros pseudeo escritores também pedantes, até que funciona ;)