sexta-feira, 6 de junho de 2008

Desabafo

Dizem que todas as relações são complicadas, mas eu nunca tinha reparado no quanto nós somos diferentes. Talvez seja só mais um relacionamento entre irmãs que acaba sempre em uma se sentindo menos valorizada, mesmo que sejam gêmeas idênticas e tenham nascido exatamente no mesmo dia. Talvez seja mais do que isso.

Eu sempre sou a excluída. Não bastasse mais de 70% da população me desdenhar feito louca, os 30% que reconhecem o meu valor são discriminados em diversas coisas. Bom, pelo menos um bom exemplo são os violões, que agora já podem ser comprados com o braço apropriado pra mim.

É sempre ela quem cumprimenta e sente a energia das pessoas que estão ali, enquanto eu, geralmente escondida em algum canto, suo e sufoco. Também é ela quem segura o volante e guia o carro, enquanto eu apenas no papel subalterno de trocar marchas e gerar aquele incômodo vai-e-vem. Ou algum dia você ouviu algum acidente que tenha sido evitado graças a uma troca de marcha na hora certa?

Um dia alguém me disse “deixa de ser boba, é você quem ostenta a maior prova de amor que um casal pode ter”. Tudo bem, na verdade eu até fiquei bem orgulhosa na hora, mas depois eu lembrei que também sou sempre eu quem sofro as conseqüências das discussões com uma marca branca gigante.

Bom, de qualquer forma, eu acho muito triste pensar que tenha alguém que mesmo sendo a minha versão no espelho, acaba sendo chamada de direita. O destino deve ser geralmente um zero a esquerda. Ops.

5 comentários:

Schali disse...

Seus textos são sempre divinos, um pulsar sentimental em cada linha. Fico feliz ao perceber que consigo ao ler a primeira linha dizer: "Esse texto é da Marina". Um traço só seu. Raros escrevem com tanta beleza sobre 'qualquer coisa'.
Beijooo!

Thiago Floriano disse...

Meu deus... eu nem li o texto ainda... mas essa coincidência foi absurda... (o nome dos nossos textos... juro que não foi proposital)

Flavia disse...

Um comentário: escoteiros cumprimentam-se com a mão esquerda.
E um dos motivos é esta ser a mão mais próxima do coração...

Félix B. Rosumek disse...

é uma canhota européia, vejam só!

fabioricardo disse...

ia comentar o mesmo que o Félix....
agora entendi pq a Marina é tão perigosa quando tá dirigindo! ela faz malabarismos pra trocar de marcha com a mão esquerda!