sexta-feira, 6 de junho de 2008

A mão que segura o cutelo

06/06/08

Minha mão esquerda se rebelou e decidiu decepar a direita. Pegou um cutelo e passou a perseguí-la em torno do meu corpo. Indefeso, eu girava enquanto uma caçava a outra. Tentei pedir ajuda para meus pés, mas eles estavam muito longe para ouvir. E nem tinham ouvidos para tanto. Finalmente, a pobre destra cansou, e a mão do capeta desferiu um belo golpe no pulso da outra. Mas não o suficiente para cortá-la. Enquanto a derrotada agonizava, balançando inutilmente os dedos ensanguentados, a insana mão esquerda batia e batia, cortando e cortando. Sem poder reagir, eu apenas podia observar em desepsero o massacre. Músculos, tendões, e por fim o osso. A mão direita parou de espernear (ou esdedear?) e caiu inerte no chão.

Lágrimas corriam para meu rosto. A mão esquerda parou de frente para mim. Vi em suas unhas cobertas de sangue uma nova ânsia, não satisfeita pelo assassinato da irmã. Ela agora queria mais: o pescoço. Ameacei-a com mordidas. Ela percebeu que não sria fácil e recuou, cautelosa. Eu precisava de ajuda, ajuda, pés, malditos pés surdos... Impulsos elétricos! Era isso! Pensei rapidamente com meus pés e supliquei por ajuda, enquanto a terrível mão se aproximava lentamente. Ela ficou frente a frente comigo, ergueu o cutelo assustador para o golpe fatal e então...

Uma bicuda vinda das terras inferiores atingiu-a com toda força pelas costas! O pé direito atacou impiedosament, golpeando a mão com fúria. O cutelo caiu de seus dedos e a luta parecia vencida, quando o pé esquerdo surgiu do nada, em defesa de sua irmã de lado. Os dois pés iniciaram uma contenda de chutes e golpes laterais de joelho. Enquanto isso, a mão tentava se reestabelecer, agarrando o cutelo. Se arrastou debilmente para meu pscoço, unhas reluzindo em ódio. Tentei berrar, não, pensar com todas as forças para o pé, mas ele estava ocupado demais. Onde estava o rabo nessas horas? Maldições, por que descemos das árvores? Sem poder reagir, fechei os olhos quando a mão ergueu o cutelo. Senti o pesado golpe: metade de meu pescoço já era...

Lá embaixo, a luta entre os pés continuava encarniçada. Sem perceber o que acontecia ao redor, bateram em um galão de combustível, derramando-o sobre o corpo. Bastava uma faísca, e estão não tardou: chegou no exato instante que a última pelanca de pele que ainda me unia ao corpo foi cortada. Minha cabeça decapitada pôde rolar livre, enquanto o o fogo se acendia e consumia o corpo. Em desespero, a mão tentou se livrar, cortando a si própria, mas era tarde demais: a pele ficou negra, rompeu-se, fragmentos carbonizados soltando-se enquanto ela se debatia inutilmente.

Fiquei ali, desprovido de tudo, mas ainda intacto. Por cerca de dois segundos, até a hemorragia trazer a insconsciência. Morri.

2 comentários:

Rodrigo Oliveira disse...

surreal! A la félix. mas a cabeça devia se salvar... e como não rolou um dedo no olho?

Félix B. Rosumek disse...

é, eu queria ter escrito algo com o "caminho da mão esquerda", mas os dias foram correria aqui, então foi essa chapaceira de 10 minutos mesmo...