quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Monólogo

- Eu te amo.

Não obteve resposta. Já não bastasse a vergonha arrebatadora que o dominava ao dizer aquelas três palavrinhas pela primeira vez, ainda por cima não obteve resposta. O silêncio gritante o ruborizou fazendo com que a segunda tentativa saísse com a voz ainda mais baixa e insegura.

- Eu te amo – repetiu.

O silêncio tomava o ambiente assim como o rubor tomava seu rosto. Respirou fundo, enchendo os pulmões de ar, e falou, uma última vez, confiante e com a voz elevada:

- Eu te amo!

Aproveitou o espelho à sua frente para pentear o cabelo, vestiu a camiseta e saiu de casa. Hoje era o grande dia.

6 comentários:

Gabriela Magnani disse...

Amei o blog. Adicionei nos meus recomendados.

Rodrigo Oliveira disse...

carai, sem o espelho tava mto sinistro. Acho até q curtiria mais... Mas enfim, acho q se tirasse o "hj era o grande dia" e acrescentasse ele passando perfume (ou levando uma flor ou qq coisa assim) deixaria claro q ele ia encontrar alguém de uma forma mais elegante. Mas até o ruborizar tava mto sinistro...

Sílvia Mendes disse...

Tenho que concordar com o Rodrigo. O texto tá animal, mas o final meio que [me] decepcionou. É uma tirada massa, o tal negócio do ser diferente do que parece, mas eu - como qualquer romântico - esperava algo mais tradicional e "fofinho".

Marina Melz disse...

Concordo com o Rodrigo e com a Sílvia. Assim como gosto mais do Rodrigo simples, gosto mais de ti misterioso.

Félix B. Rosumek disse...

já eu gostei da tirada. poderia tomar outros caminhos, claro*, mas foi uma sacada legal.

* ela poderia não repsonder por estar morta. ok, isso seria mais a minha cara... ;)

JLM disse...

escrever um texto com duplo sentido, um real e outro para enganar o leitor é algo legal, mas pode se contradizer se não for lido ora com um sentido, ora com o outro.

pra mim a única coisa q não se encaixou com o sentido real foi o "ainda por cima não obteve resposta". se ele estava falando com o espelho, q resposta esperava? algo no estilo rainha má em branca de neve?

"O silêncio gritante o ruborizou" e "O silêncio tomava o ambiente assim como o rubor tomava seu rosto" são repetições desnecessárias ao meu ver, num texto curto.

O final tá perfeito!

1 abraço