sábado, 6 de junho de 2009

Transmissão

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Alô, alguém está me escutando?

...

Por favor, respondam, respondam! Qualquer linha, qualquer frequência, QUALQUER UM, merda!

...

Droga, droga... Se alguém estiver escutando, evite a nossa área, entenderam, EVITEM NOSSA ÁREA! Eu não vejo nada aqui, diabos. Essa fumaça sobe do solo como se fosse direto do inferno, não consigo enxergar mais do que um metro na minha frente. Merda, isso é até bom, no fim das contas! Tínhamos acabado de chegar, caminhamos um pouco para dentro dessa maldita névoa. Nem deu para nos acostumarmos. De repente, tudo era um caos! Disparamos como animais, sem efeito algum. Talvez até tenhamos acertado uns aos outros. Mas aqueles outros sons e os gritos que vieram depois nunca seriam por causa de algum disparo. Maldições, eu precisaria dar três tiros no meu estômago antes de gritar daquele jeito! E as coisas estavam por todos os lados. Não sei o que era, não dá para ver na... Merda, estou ouvindo um barulho vindo dali. Não pode ser um dos nossos... Ei! Quem está aí? Meu deus, é você, Rob? Espere, onde você está? Merda, merda, merda de fumaça! Estou indo, ainda tenho alguma munição! Espere... OH, MERDA! ROB, CUIDADO! NÃO!.. NÃO!... ROB! Merda, tenho que fugir! Rob, meu deus... Pare de gritar, morra de uma vez... MORRA!

...

...

...

E-eu... acho que... uh... escapei... Droga, Rob! Eu ouvi tiros, vários. E o som daquela coisa. E os gritos de Rob. E sons que só poderiam... só poderiam... merda, MERDA, só poderiam ser de um corpo humano sendo rasgado como... como... como uma merda de bonequinho de papel! Eu vi um vulto, pela primeira vez agora e tenho que sair daqui, aquela coisa nunca poderia ser humana! Seja o que for, essas coisas devem ter uma força imensa. E nenhuma mente. Aquilo só poderia ser selvageria total! Oh, cara, cara, como vamos sair dessa? Como eu vou sair dessa, se é que tem mais alguém vivo ainda. Espero que alguém esteja me ouvindo, pelo menos isso tudo não vai ser em vão. O que estou dizendo? Eu estou vivo ainda, não estou? Por enquanto, não é? Bastou alguns segundos para Rob... Merda, merda, NÃO PENSE NISSO! Se ao menos eu conseguisse enxergar alguma coisa. Seja o que for aquilo, não caça com os olhos. Ou enxerga de um modo diferente do nosso. Será que eu consegui fugir? Para onde vou no meio dessa merda? Largamos tudo no desespero, não tenho a menor idéia de como me localizar. Vou continuar camin...

...

Oh, merda...

...

Merda...

...

T-tem... ten alguma coisa por aqui...

...

Deus, me desculpe por qualquer coisa, me salve, por favor...

...

E-está vindo... Estou vendo alguma coisa, está vindo para cá... Esta ficando ficando mais nítido... Oh, meu deus, meu deus, pelo menos faça ser rápido... Por favor... E... E... OH MERDA O QUE É ISSO POR DEUS DE QUE INFERNO NÃO MORRA MORRA MORRA DEMÔNIO MORRAAARRGGHH ARRGGGHH MEU AAAHH BRAÇO AAAAHHHH AAHAHH AAAAARRRRRRHHHHHH..........................

10 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

A idéia aqui era fazer um texto que representasse uma cena, e que essa cena não tivesse nenhum grande significado. Comecei pensando em N formas de tornar a fumaça algo metafórico, quando percebi que é o caminho mais óbvio, e mudei de direção.

O texto é um exemplo das limitações da comunicação escrita, ou / e das limitações do autor em transpôr idéias audiovisuais para palavras. E interessante usar a formatação para tentar simular gritos, murmúrios e silêncios, mas nesse caso ficou mais para a tosqueira.

Félix B. Rosumek disse...

Observação: acabei de reformatar tudo, pois só agora vi que o Blogspot tinha alterado a formatação anterior. Agora está "correto"! :)

JLM disse...

nem precisava do aviso inicial.

Félix B. Rosumek disse...

Tanto que ele nem constava na primeira vez em que tu leum JLM. E o texto não foi pensado para ser lido dessa maneira, inicialmente. Mas eu fiquei pensando em algum modo de conciliar o uso das formatações com a imprevisibilidade do próximo momento, que se perde um pouco na escrita (a gente sempre consegue enxergar que tem umas maiúsculas gigantes em negrito embaixo das letras miúdas). Daí me surgiu essa idéia, e faz uma baita diferença na leitura. Ajuda muito a criar tensão.

Eu provavelmente vou pensar em utilizar esse recurso alguma outra vez, de um modo mais elaborado.

Rodrigo Oliveira disse...

só. agora chegamos num texto que levanta varias questões (o que já é alguma coisa). O texto em si, não é o bicho. mesmo. mas dentro do texto, há algo bem bacana. A fumaça nao é foco mas está presente. as cenas sao cheias dela. interessante. mas o q vale é o extratexto aqui. como seria esse texto offline? o aviso do autor no começo é válido? atrapalha ou ajuda? tem mais uma pá de coisas q dava pra levntar (comentários offpost, grafia/fonte/corpo de letra, etc) mas essa caixa não seria suficiente nem esse teclado me anima a tanto (quero meu pc de volta!!!!)

Félix B. Rosumek disse...

Continuando a discussão com os ganchos do Rodrigo... Explicando um pouco melhor: o texto foi escrito e postado sem nenhum aviso antes. ele só apareceu depois que eu reli o post e vi que, através deste modo de leitura, o efeito desejado (com o modo como foi escrito e o jogo de formatações) ficava bem melhor. Coloquei o aviso como uma dica, pois ninguém lê textos assim, e já perderia alguma força ter colocado ele nos comentários para uma segunda lida.

O interessante aqui é pensar no recurso. Como o Rodrigo disse, como ficaria isso offline? No PC é possível ler deste modo. Na verdade, é praticamente como ler um texto feito no Power Point, em que os trechos vão surgindo aos poucos. Em papel, não dá para fazer isso. Uma aproximação razoável é a estrutura dos livros-jogo, com sua história dividida em trechos misturados aleatoriamente.

Estou falando bastante porque é uma idéia que apareceu meio do nada, ao reler o texto (que, na verdade, é meia boca). Na próxima vez, vou ter essa idéia em mente quando criar o texto, e vamos ver qual o resultado. E tem que rolar aviso, não tem jeito.

JLM disse...

daria pra fazer no papel sim, félix, se em cada reticências vc pulasse uma folha. meio modernista, admito, mas manteria o efeito, não é?

Félix B. Rosumek disse...

É verdade, JLM. Na verdade, até com duas folhas de papel não-transparente dá para fazer a mesma coisa. Mas nenhuma das alternativas é muito prática...

JLM disse...

eu já imaginei aqui uma página em branco (da sequência q vc criou) contendo bem no meio dela um

Oh, merda...

cara, deu até pra perceber a fumaça ao redor, :)

§Polli§ disse...

É... O texto em si também não achei muito super, mas a idéia do formato diferente, a dica, a mudança do tamanho das letras deu uma tensão bem legal durante a leitura. Achei bem interessante pra dar uma mudada e incrementada na disputa. Mas quais implicações e usos futuros esses recursos terão, ae é decisão de vcs!