quarta-feira, 15 de julho de 2009

Irregular

Tudo começou com um atraso menstrual. E eu adianto, tudo nessa história tem a ver com o atraso da menstruação dela.

A gente estava bem. Bem mesmo. Eu até achei que finais felizes existiam – aquela coisa, no começo, sabe como é. A gente saia, ia ao cinema, dançava, bebia, se descobria e transava com freqüência. Bem início. Na verdade, era uma coisa meio maluca. E só então ela me disse que tinha um ciclo menstrual maluco.

Aí começou o inferno. Primeiro que a gente não transava mais. Nem se eu tentasse explicar se um espermatozóide tivesse fecundado o óvulo dela, uma foda a mais ou a menos não mudaria muita coisa. Depois que ela começou a querer ficar em casa, ou porque estava pensando em como contar para os pais dela ou e como seria o quarto do bebê. Até nomes ela já tinha.

Eu imaginava – juro que às vezes até sentia – algodões bem fofos nos meus ouvidos. E ela falava e eu não ouvia e continuava lá, pensando que essa porcaria de menstruação tinha que vir pra eu não enlouquecer logo. Eu quase morria quando pensava que ia ser pai, mas é aquilo: se não fosse e eu me desesperasse, teria perdido cabelos a toa. O caso seria negociar a pensão.

Ela começou a ficar histérica com o fato de eu não falar no assunto. Até que eu comecei a não ir mais até a casa dela para vê-la. E era pra me estressar, ficava em casa ouvindo minha mãe. Pelo menos não gastava combustível. Aí eu comecei a sair com os amigos, pra desbaratinar até que um belo dia ela me liga.

A menstruação dela veio. Atrasada, mas veio. E aí ela me ligou a disse que a gente podia voltar a ser o que a gente era antes e que aquilo tudo era só TPM. E eu disse que não queria vê-la nunca mais. Estava atrasado para ver uma gatinha, que eu já sei que tem um ciclo menstrual regular.

5 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

Para mim, isso aí é um conto de terror, dos mais assustadores! ;)

Comentários técnicos em outro momento.

JLM disse...

[2] tremi aki.

Félix B. Rosumek disse...

Comentário técnico agora: embora tenha captado bem as sensações de um cara numa situação dessas, faltou uma elaboração melhor para a história ficar bem contada. Não consigo localizar pontos específicos, mas é a sensação geral.

E fica para a rapaziada: só confia em tabelinha quem quer viver perigosamente! :D

Rodrigo Oliveira disse...

Um tema parecido com o do Fábio (que era óbvio que ia aparecer), mas aqui achei que foi um pouco melhor trabalhado. alvez porque a força dele não esteja apenas no fator surpresa (que aqui não há). E se fosse em 3ª pessoa? ;)

Fábio Ricardo disse...

achei o final meio bobinho, mas só pra achar um defeito mesmo. a construção foi muito boa, a historinha toda foi boa de ler. E olhe só, teve até lição de moral!