terça-feira, 7 de julho de 2009

Espelho da mente




Eu

odeio

ela.



Entendeu, não é? Eu a odeio e não consigo mais agüentar a sua presença. Já fui indiferente. Já tolerei. Já me incomodei um pouco. Já suportei calado. Agora não quero mais ficar me escondendo.

Tudo nela me repudia. Sua fala, sua risada, sua presença, o modo como arreganha os dentes no sorriso... Não posso seguir por perto, porque me irrito com tudo o que ela faz. E o olhar? Ah, aquele maldito olhar! Como eu posso agüentar aquela zombaria disfarçada? Aquele ar de desafio e superioridade reprimido? Aquele brilho... Aquele azul cristalino...

Não!



Eu

odeio

ela!



Sim, eu a odeio e não há nada no mundo que possa mudar isso. A culpa não é minha. Não há nada que eu possa fazer a respeito. Odeio por tudo o que ela me fez passar. Pelo que me fez sofrer. Odeio! Tudo o que ela fez para mim.

Nada. Sim, exatamente nada! Odeio ela ter ignorado. Odeio ela ter desprezado. Silenciosamente, propositadamente! Odeio ela ter sentido pena. Odeio ela ter se condoído. Odeio ela ter se importado! Odeio ela gostar de mim... Odeio ela me amar... FINGIR me amar... não do modo... como eu...

EU

ODEIO

ELA!



Eu a odeio, pois não poderia sentir nada diferente. Toda vez que a vejo começo a pensar, pensar, pensar... e odiar, odiar, odiar! Eu quero que ela se dane, que erre e se machuque, que tenha uma alma cheia de feridas e cicatrizes. Que ela escolha o caminho que quiser. Que faça as escolhas idiotas que achar melhor. E sofra por isso. Sofra e chore! Deixe-a sofrer. Eu não me importo com ela. Não me importo. Para mim ela está morta.

Mas não consigo parar de pensar, e isso me faz odiar mais ainda! Pois toda a vez que eu penso, é com ódio. Ódio por tudo aquilo que ela representa, pelo que ela fez ao seguir sua vida estúpida do modo com seguiu. Tomara que siga para o inferno de uma vez por todas!

Odeio ela, com todo o ódio que meu coração possa conter. Mas sou obrigado a ter ela sempre por perto. Pois ela sempre está nos lugares onde eu vou, nos momentos em que estou. Quando saio, quando vago, é ela quem sempre esbarra comigo, vinda do nada. É ela quem está na sacada do apartamento, quando tento passar às pressas pela rua. Quando disco um telefone qualquer, é ela quem atende. E, como se não bastasse toda a insônia que o ódio já me causa, quando fecho os olhos, é ela quem vem assombrar meus pesadelos! Ela não me deixa descansar, não me deixa ser feliz, arruína tudo em minha vida. Ela que gera esse insano ódio, como um monstro, um parasita, um vampiro de almas que merece ser empalado pelo coração, sofrendo mil eternidades de agonia por cada segundo da minha desgraça!

POR

TUDO

ISSO

EU















EU















eu





















amo













ela











eu












amo











ela

























E não há nada que eu possa fazer a respeito...

4 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

Algumas partes da formatação foram perdidas por causa das limitações do Blogger. Este não é um texto no estilo daquele da "fumaça", mas uma outra forma de trabalhar com a formatação.

Gabi Magnani disse...

Que lindo Félix, eu adorei. Parabéns.

Fábio Ricardo disse...

meio que eu saquei o final já antes de chegar nele... lá no seugndo odeio, jah imaginei que era, na verdade um amor profundo.
isso eh meio obvio, claro.

mas acho q essa obviedade que tirou um pouco do texto. gosto de ser surpreendido, e aqui nao fui.

Félix B. Rosumek disse...

Pois é, Fábio, quando comecei a escrever percebi que iria ser difícil ter um efeito supresa nesse caso. Daí optei por não focar o texto nisso (tanto que entreguei o ouro fácil no final do segundo parágrafo). Direcionei mais para o processo de negação em si, que é onde está o "assassinato" que "não dá certo" no fim das contas. Dessa vez dei uma interpretação bem esotérica para o tema, admito! :)