quarta-feira, 22 de julho de 2009

Realidade 24h

A temperatura cai. O frio chega. Sinto o bater de queixos, e você? Falta coberta. Vem aqui. Me abraça. Vamos fazer um inverno quente? O nosso inverno.

Olha ali, coitadinhos. Estamos abraçados. Não me engano, mas minha pele, sim: parece que esquentou. Pega aqui, moço. Se enrolem também. Abraça, abraça forte. Somos todos amigos agora. Eu te dou meu casaco e você me dá seu frio. O inverno também é vosso: o vosso inverno.

O que é, moço? Tenho, sim, quer que eu acenda? Quer uma ponta da coberta? Moço de camiseta, deve estar congelando. Espera: passo frio mas dou a ele a minha parte da coberta. Olha ali, o moço tá indo pra aquele café! Tem fumaça saindo da xícara, o vidro escorre: tem aquecedor. Aqui não tem e o filho-da-puta acabou com o pouco fogo do meu isqueiro. Não adianta. Aqui faz frio. Nem meu, nem seu.

É um inverno só deles.

4 comentários:

Fábio Ricardo disse...

a crítica serviu (para os que conhecem), mas ainda acho que o final podia ser mais bem trabalhado.

Viegas Fernandes da Costa disse...

Parabéns Marina, há de se olhar o que há para se ver. Quem sabe, depois de tantos falares e tantos falarem, alguma coisa mude e algumas pessoas acordem.
Afinal, o inverno não pode ser só nosso... em sem o fogo que sempre nos aqueceu.
Abraço,
Viegas

Viegas Fernandes da Costa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Félix B. Rosumek disse...

Consegui imaginar a cena, mas, em alguns pequenos detalhes, a visualização fica um pouco dificultada. Vamos ver, por exemplo, o segundo parágrafo.

Inicialmente, imaginamos o narrador junto com o seu companheiro do primeiro parágrafo. Eles enxergam duis ou mais personagens também com frio. A inserção do "Estamos abraçados etc." aqui quebra um pouco a ação (a segunda e a terceira frases são boas, mas poderiam estar no primeiro parágrafo). Em sequência, o narrador fala com uma personagem (Pega aqui, moço). Então volta a falar no plural (Se enrolem, também). E daí singular, e depois plural, e singular, e por fim plural.

Embora seja perfeitamente possível imaginar o narrador chamando duas pessoas e falando em alguns momentos com apenas uma delas, não acha que ficaria mais claro para o leitor se fosse mantido o singular ou plural em todas as frases?

Detalhes estes vistos, o tema foi trabalhado de um modo legal: tanto para se referir ao frio físico quanto ao frio comportamental. Eu ainda me atenho mais a textos maiores e gostaria de ver mais frases aí, mas é questão de gosto.