quarta-feira, 7 de maio de 2008

Quarto 902

Thiago Floriano
06/maio/2008

Entro no quarto escuro e não encontro o interruptor da luz. Em poucos segundos, não encontro nem a porta. Repentinamente, um ponto cintilante aparece, ao longe. Não recordo de meu quarto ser tão grande. Caminho lentamente, receoso, até encontrar um letreiro. Novecentos e dois! Não é o número do meu quarto. O que estou fazendo aqui?

E lá estou eu, parado em frente ao 902, sem enxergar nada além do letreiro. Sem sequer imaginar como vim parar aqui. Subitamente, uma luz azulada começa a projetar minha sombra em uma porta de ferro, que agora consigo visualizar. Ainda confuso, coloco a mão sobre a maçaneta, onde ela repousa por longos minutos, até que eu crie coragem para abrir. Não é uma grande surpresa olhar para fora e encontrar apenas uma pequena sacada, nove andares acima do solo.

Da mesma forma, eu sei que não pode ser real. Sinto que estou em um quarto fechado. Consigo ouvir nitidamente meus próprios batimentos cardíacos, como se fosse uma música que tocasse de fundo. Quando olho para trás, mais uma porta deixa de existir. Em seu lugar, uma escada circular praticamente me chama a um desafio.

Sem imaginar para onde estava indo, começo a subir aqueles pequenos degraus, enquanto eles mudam de forma, cor e tamanho. Subo, sem parar, até que minhas pernas fiquem bambas. Ouço ruídos. Estou cansado. A respiração é ofegante e os batimentos cardíacos acelerados.

Não consigo ouvir, mas, lá fora, várias pessoas gritam: - Parada no 902. E já não ouço mais nada. Nem as batidas de meu coração, que agora está parado.

2 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

não sei por que, mas logo no início saquei que seria uma situação de morte. talvez tenha associado o ponto cintilante com o clássico túnel / corredor com uma luz no final.

Rodrigo Oliveira disse...

curti. final bacana e consiguiu mostrar um outro quarto, que eu nem esperava ver aqui.