quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A aposta

Fábio Ricardo de Oliveira
07/02/08 (desculpem o atraso...)

Danielle perdeu a aposta com as amigas. Ela já estava em sua quarta tequila, em plena despedida de solteira, e não conseguiu sorver toda a bebida sem tossir ou fazer cara feia. O castigo? Realizar em uma só noite os sete pecados capitais.

Resolveu começar pelo mais aprazível no momento. Como já estava com fome, ligou para o disk-lanches e pediu um sanduíche tamanho extra, com bacon, calabresa e tudo o que tinha direito. O motoboy trouxe o lanche e ela comeu de pé, na frente da balada. Mesmo morrendo de vergonha entre risos e comentários maldosos dos que assistiam a cena, Danielle lambeu os dedos e avisou as meninas, ao entrar novamente na danceteria: "um já foi".

As meninas riram e se jogaram nos sofás do reservado, esperando o próximo pecado. Uma delas adiantou a decisão, convidando as garotas até a pista.
- Isso, vamos dançar! - comemorou Danielle.
- Você não, senhorita. Esqueceu que a preguiça é um dos pecados? - retrucou a amiga.

Danielle ficou sentada sozinha e viu a preguiça se transformar em inveja, enquanto as meninas já dançavam a terceira música no meio da pista. Ela queria terminar logo com aquilo. Foi até o balcão e pediu uma bebida por conta da casa. O garçom achou graça e disse que não poderia servi-la sem pagamento. Apostando alto na avareza, ela insistiu, falou que era sua despedida de solteira e que merecia sim, um último agrado. O garçom concordou, mas falou que não poderia fazer nada. Danielle decidiu que teria que apelar para outro pecado.

Apoiou-se sobre o balcão, comprimindo os seios entre os braços, forçando-os através do decote. Insinuou-se lascivamente e garantiu ao barman que ele não se arrependeria por entregar-lhe a bebida. Ele trouxe uma dose de uísque com energético e, assim que ela virou o copo, disse que sentira uma vontade repentina de ir ao banheiro feminino. Ela entendeu o recado e o seguiu, trancando a porta atrás de si.

Transaram em cima da pia, de frente para o espelho, enquanto ouviam as batidas incessantes na porta. Danielle saiu descabelada e arrumando o vestido, e encontrou suas amigas já sentadas esperando por ela. Não resistiu e com o orgulho inchado, contou a todas a fantasia que acabara de realizar.

O tom da conversa mudou, e cada uma das garotas passou a detalhar minuciosamente suas fantasias já realizadas. Uma das amigas desabafou: seu sonho era transar com um homem comprometido. Entre as risadas que o comentário gerou, outra amiga, já mais avançada na bebida, disse que para ela isso não era problema, e citou as histórias diversas de aventuras sexuais com homens comprometidos. Danielle sentiu a fisgada maligna do sétimo pecado ao ouvir o nome de seu noivo, e descobriu que nunca mais viria a se curar da ressaca que começaria na manhã seguinte.

Um comentário:

Félix B. Rosumek disse...

o pior é ela ter sentido ódio pela história da amiga com o noivo, depois de ter acabado de se esbaldar com o garçom no banheiro...