domingo, 6 de setembro de 2009

Invasões

As lamparinas se apagaram e só se via o reflexo da luz nas águas do rio. O assobio do vento não era exagerado, mas profundamente tenso. As pessoas congelaram suas expressões, como se tivessem visto um fantasma. A notícia de que os bárbaros estavam chegando ao Império Romano já era por si só assustadora para aquelas pessoas.

Por mais que costumassem dizer que estavam preparados para enfrentar a tudo e a todos, menosprezando a ameaça bárbara, eles tinham receio de não poder ganhar todas as batalhas. Mas ali, naquele momento, em meio à escuridão, só se ouvia o uivar dos ventos e as respirações de cada uma das pessoas escondidas naquela construção abandonada.

Elas olhavam de soslaio uns para os outros, mesmo não os enxergando. Não estavam preparados para lutar. As espadas e armaduras eram pesadas demais para eles. Não tinham sido treinados o suficiente. Não tinham organização. Seus senhores da guerra não o deixaram confiantes para a batalha que estava por vir.

Em poucos minutos começaram a ouvir a movimentação das tropas inimigas. Pareciam vir de todos os lados. O som do galope dos cavalos não dava a dimensão exata de quantos eram. Desde que os visigodos saquearam Roma o sossego já não era algo natural para o exército romano.

Vândalos cercaram a construção com rapidez incrível. Certamente sabiam que ali estava concentrada a tropa romana. Era como se tivessem marcado um jogo, por esporte. Mas era uma batalha a certa distância dos ouvidos dos cidadãos. Quando as espadas começaram a se confrontarem e as cabeças rolaram, nenhum som se ouviu nas cidades.

Os bravos guerreiros, sedentos por sangue, duravam sempre mais do que aqueles mais assustados.

Em menos de uma hora, sobraram apenas restos mortais, espadas, armaduras e os cavalos. Sangue. Espadas. Sangue. Dor. Os cavalos seguiram, sem cavaleiros, sem rumo. Nenhum rumo. Nenhum registro. Nenhuma glória.

5 comentários:

Fábio Ricardo disse...

Gostei do estilo. Com certeza podia ser mais trabalhado, algumas frases refeitas. Mas achei um estilo muito bom de ler.

Félix B. Rosumek disse...

Temos aqui uma polêmica: afinal, o Império já tinha caído ou não no texto? Se não tinha, o texto ainda se localiza na Antiguidade e está fora do tema! :D

Só brincadeira, o texto está dentro do tema, na gênese daquilo que chamamos de Idade Média.

Se propondo a retratar uma cena de batalha, acredito que o texto ganharia bastante com uma descrição mais vívida do embate em si. Torna mais climáxico. O penúltimo parágrafo, por exemplo, ficou meio solitário.

Idéia boa, narrativa interessante, mas melhoraria muito com mais algumas olhadas.

Thiago Floriano disse...

realmente, félix, tem essa falha histórica... pra funcionar perfeitamente o negócio eu teria que ter ambientado depois de da queda do império e não no período das invasões bárbaras... ato falho... mas acho que funciona como parte do que deu origem à idade média.

Fábio Ricardo disse...

É... um texto que mostra o momento da divisão entre Antiguidade e Idade Média, também está no tema Idade Média!

Rodrigo Oliveira disse...

Pra é antiguidade e tá acabado. Não que seja a questão cronologica que definiria a validade ou não do texto. Mas ter em mente em foco da narrativa (temporal ou não) ajuda a colocar o autor dentro daquele tema, naquele espírito. O autor se deixa tomar por esse espírito e isso transparece no texto. Aqui, por mais que o texto esteja bacana (mas dá pra melhorar) eu vejo o autor escrevendo e não o texto brotando. Pra mim (talvez por afinidade ao tema) faltou aquele "sentimento" medieval. Ficou com uma pegada mais antiguidade mesmo. Apesar que o clima das Dark Ages aparece bem em algumas passagens. Acho que é isso, em alguns pontos ficou bacana, em outros podia ter pegado mais na veia. Acho que vai além de datas essa questão.