sábado, 26 de setembro de 2009

A sofrida história de um migrante

Quando o trouxeram ele ainda era muito novo. Não faz muito tempo que o deixaram, sozinho, em meio a grandes e imponentes árvores. Ele não conhecia o Brasil e estava amedrontado por ser deixado no centro daquela grande floresta nativa. Em pouco tempo, ele cresceu. Cresceu mais rápido do que a maioria dos nativos do local, despertando o interesse de um pequeno grupo de seres. Esse grande grupo era composto de bípedes do mesmo tipo dos que o trouxeram da Oceania. Mas quando veio de tão longe ele ainda era muito pequeno pra perceber a diferença desses bípedes para os demais. Eles tinham um tal de polegar opositor.

Bem, voltando à história principal. Ele cresceu rápido. Bem rápido mesmo. E logo se tornou grande e resistente. Era impressionante como ele tinha coragem se comparado com os nativos. Quando o uivo dos ventos começava a amedrontar a quase todos, ele simplesmente se colocava a dançar. Mostrava toda sua flexibilidade e colocava inveja nos seus hospedeiros.

Não há como negar que ele se adaptou ao ambiente, pois, tão cedo teve a primeira chance, deu à luz um herdeiro. E outro. E mais alguns. Rapidamente construiu uma família invejável. E seus filhos em nada pareciam com ele quando veio desembarcar no Brasil. Eles pareciam donos do ambiente. Certos de que nada os colocaria pra fora dali. Os grandes nativos já não eram tantos quanto na época que ele chegou. Havia mais espaço agora.

Os bípedes, também chamados de humanos, logo começaram a matar parte da família. Mas, ao mesmo tempo, cultivavam e incentivavam a reprodução da espécie. Ele não sabia o que era feito dos seus, pois não podia sair dali, mas os nativos repudiavam quando os humanos os abatiam. Como seus descendentes cresciam com mais rapidez que os nativos, aos poucos os humanos pararam de matar os nativos e se concentraram apenas nos frutos de sua fertilidade. Até que um belo dia o mataram também, mas já tinha muitos herdeiros, a quem deixou terras espalhadas no Brasil inteiro. Não se pode dizer que foi fácil a vida de Eucalipto, o forasteiro.

7 comentários:

Rodrigo Oliveira disse...

taí, visão diferente do tema, mas bem focado nele. abordagem interessante, a estrutura ficou bem montada. tem umas passagens que pecaram um pouco na construção, eu acho (como algumas passagens dos bípedes [o começo parece que quem nasce na oceania nao tem dedão, além do que é meio supérfluo, eu acho], o 'incentivavam reprodução espécie' [destoou da construção lexical usada na maior parte do texto]) mas coisas poucas.

Fábio Ricardo disse...

achei bacana a busca pelo tema diferente. mas o primeiro paragrafo ficou meio confuso. principalmente aqui: "...despertando o interesse de um pequeno grupo de seres. Esse grande grupo..."

Thiago Floriano disse...

falha de revisão...

Marina Melz disse...

Diferente. O mais diferente.

Félix B. Rosumek disse...

Não sei se a intenção era essa, mas se quiseres causar um efeito-supresa maior, poderia dar menos informações. Logo nas primeiras frases dá para sacar o que é (embora possa ser minha mente bióloga trabalhando - na hora do "Cresceu mais rápido do que a maioria dos nativos do local").

Aquele trecho que o Rodrigo mencionou causou o mesmo efeito em mim e tive que reler mais até entender.

Ponto muito positivo pela criatividade na idéia e a redação está legal (fora as ressalvas acima), mas aquela revisão daria uma ajudada boa.

Félix B. Rosumek disse...

ps: me incomodou um pouco mais o fato do eucalipto ter sido introduzido intencionalmente no Brasil, e o texto passa a impressão que veio por acidente e depois foi "descoberto". Algumas modificações poderiam rolar para mostrar que essa é a história daquele eucalipto naquela situação, se esse era o caso.

Rodrigo Oliveira disse...

é a sua mente bióloga sim, Félix